Locomotiva Esportiva
  • Bauru e Interior
  • Basquete
  • Vôlei
  • Futebol
  • Vagão Cultural
  • Memória LE

Basquete

Bauru e Interior

Entrevista

2014/11/11 0 0

LE entrevista – Guerrinha

O comandante bicampeão paulista fala à LE sobre sua trajetória no basquete bauruense até o time atual

Por Lucas Guanaes

Foto: Lucas Guanaes/Locomotiva Esportiva

Bicampeão paulista, classificado entre os 8 melhores do Sulamericano (por enquanto) e uma grande expectativa para o NBB. Uma mescla de um trabalho contínuo que já dura 7 anos com reforços de altíssimo nível e jogadores fazendo um excelente trabalho nas categorias de base. Um patrocinador competente e uma torcida apaixonada. Receita do sucesso? Segundo o técnico do Bauru Basketball Team, Jorge Guerra, amplamente conhecido como Guerrinha, nada disso adianta se o resultado não vier. Nosso comandante das quadras concedeu entrevista exclusiva à LE na última semana, no ginásio Panela de Pressão.

De carreira vitoriosa, tanto como jogador como quanto técnico, Guerrinha fez parte da geração que conseguiu aquele que é o maior feito da história do basquete brasileiro masculino até a atualidade: vencer os Jogos Panamericanos de Indianápolis (1987 – EUA), em Indianápolis, vencendo os EUA na final. Na companhia de Oscar e Marcel, aquela foi a mais marcante medalha de ouro conquistada pelo basquete masculino em Jogos Panamericanos. Como técnico, Guerrinha chegou a Bauru quando o time ainda era patrocinado pela Tilibra, e conquistou um campeonato estadual e outro nacional, além do vice sulamericano. Após o retorno do Bauru Basketball Team à atividade, em 2007, Guerrinha foi novamente contratado como técnico, desta vez para construir uma equipe do zero.

LE: Antes do seu retorno a Bauru, você era tido como um treinador consagrado na cidade, alguém que já havia dado sua contribuição ao esporte bauruense. O que o levou a voltar, sabendo que teria que começar do zero, sendo que nem a Panela de Pressão existia mais?

Guerrinha: Nem a Luso, né? Tivemos que reformar tudo. Eu tive uma consulta com um empresário de uma multinacional, o Paulo Pires, natural de Duartina e que gosta muito da região. Ele era o CEO da GRSA, e falou assim: ‘você gostaria de montar o time em Bauru, de novo?’. Nisso, eu estava saindo de Rio Claro porque o time tinha acabado. Ainda possuía um projeto social lá, mas estava sendo sondado para ir para outras equipes. Então ele me veio com essa proposta de montar uma nova equipe aqui, com um orçamento menor, mas que fossemos evoluindo passo a passo, e eu achei a ideia interessante. Já havia feito essa ideia no Polti/COC (Ribeirão Preto), que eu fui o gestor, desenvolvi todo time e saí de lá e vim para Bauru na época da Tilibra. (…) Em seguida, passei pela NBA, fiquei quatro meses e meio em Phoenix, passei por Campos (RJ). Como técnico, tenho um perfil bem completo, sou como aqueles jogadores que jogam na 1, 2, 3, 4, 5, igual ao Alex (risos), tenho uma imagem boa como jogador, um lado gestor-administrativo, uma credibilidade muito boa na minha imagem, e acho que tudo isso ajuda. Então, quando eu voltei pra Bauru, eu já tinha essa imagem de sucesso, já vim com uma credibilidade.

LE: Então isso ajudou a trazer coisas para o time?

Guerrinha: Nós montamos um tripé: primeiro, credibilidade. Essa credibilidade é muito difícil de ter hoje no esporte, e acho que isso é o que mais falta ao Noroeste hoje. A segunda, é desenvolver o time dentro e fora da quadra, com projetos sociais, com jogadores que se comprometem, que tenham uma imagem. Nossa imagem de jogador é o Larry, desde o início, que se dedica na quadra, fora dela é humilde, é uma estrela, sabe se comportar, tem esses valores dentro da quadra. A terceira coisa é o resultado. Sem resultado você não atrai nada. Aos poucos, fomos conquistando as coisas dentro da nossa realidade e acho que tudo isso fez com que a gente voltasse a desenvolver esse projeto pra Bauru novamente, montar um time do jeito que eu achava que deveria ser, dentro e fora da quadra.

Hoje, eu já não decido muitas coisas. A estrutura cresceu de tal forma, que temos um gestor profissional (Vitinho), um conselho administrativo acima da diretoria, que é muito envolvida, um patrocinador sólido e vários auxiliares, como Zopone e Prata, que sempre estiveram na nossa caminhada. O que mais me atraiu foi isso, mesmo com as dificuldades. Quando o Paulo Pires me abriu a Panela, estava tudo molhado, estragado, dava dó de ver. E não tínhamos dinheiro pra reformar. Então busquei o Luso, que já tinha uma manutenção, e não estava tão ruim quanto a Panela. Gastamos mais de 100 mil reais pra reformar o Luso, a Panela ficaria mais de 500 mil. E a nossa verba na época era de 70 mil reais por mês (…). Pelo menos, tivemos uma casa, um início, onde crescemos e mostramos o trabalho do time, despertando interesse de patrocinadores, como Itabom, Paschoalotto, pelos valores do time, não só pelo resultado.

LE: Então essa é a receita para as outras modalidade esportivas de Bauru, como vôlei e futebol?

Guerrinha: Olha, toda religião te leva a Deus, não tem uma melhor que a outra, e sim a que encaixa pra você. Essa visão serviu para o basquete. Tem algumas coisas que servem para qualquer situação como a credibilidade, ter um produto bom e saber vender esse produto e o resultado. Por isso que as coisas são atraídas, ninguém vai colocar seu dinheiro em alguma coisa que não é sólida.

LE: Um dos principais fatores do basquete estar em alto nível em Bauru é o bom trabalho feito na base, que é uma “ilha” no Brasil…

Guerrinha: O trabalho que é feito hoje, sim. Antigamente, era feito um trabalho no Luso, mas era muito recreativo. Não que fosse ruim, mas não é profissional, como é feito hoje…pra você ter uma ideia, hoje temos o Jhonatan, Everton, André e Hudson, quatro técnicos apenas para a base. Tudo que o adulto tem, a base também tem…então, nesses últimos dois anos, o trabalho feito na base é profissional.

LE: Um ano atrás, após a conquista do primeiro título paulista, você disse que o Bauru estava competitivo a nível estadual, mas para o NBB ainda faltava algo a mais para chegar ao nível de Flamengo e Brasília. Hoje, um ano depois essa diferença ainda existe?

Guerrinha: Não, estamos iguais. Apesar do Flamengo ser atual campeão mundial, acho que nossa equipe se equipara à deles. O que eles têm é mais tempo de trabalho juntos…nós temos um mês e eles têm três anos (…), nós trouxemos Jefferson, Day, Alex e Rafael (Hettsheimeir), quatro jogadores praticamente titulares e só jogam juntos a um mês, mas acho que a gente pode conseguir superá-los. Brasília trouxe mais um lateral muito bom, americano, mas também está um pouco atrás por falta de conjunto, como nós, mas se fizer um trabalho acelerado pode fazer um time muito competitivo. Gosto muito da equipe de Limeira, só falta um pouco mais de jogo interno, se conseguirem isso, ficam muito fortes pro NBB. Gosto também de Franca e Paulistano, que não têm tantos jogadores experientes como nós, mas cada um com seus jogadores têm potencial e podem entrar nesse grupo de 6 equipes. Ainda temos Uberlândia, Pinheiros, Mogi (…), São José, que agora tem um plantel muito bom, equipe fortíssima também. Temos várias equipes com chances de disputar a final. Acho que Bauru, Flamengo e Brasília têm mais chances de chegar à final, mas terão que provar isso dentro da quadra. É um campeonato bem organizado e longo, muita coisa pode acontecer ainda.

LE: No próximo ano, existe a possibilidade de disputar a pré-temporada da NBA tal como o Flamengo o fez esse ano, ou este é um sonho para mais adiante?

Guerrinha: Acho que tem essa possibilidade sim. Vai depender se conseguirmos ir para a final do NBB, vencer a Sulamericana, ir para a Liga das Américas, depende só da gente na prática. Nós tivemos uma chance muito boa entrando na Sulamericana e já estamos entre os 8, então depende de nós demonstrarmos nossa qualidade como o Flamengo mostrou. Eles foram para o mundial e NBA porque demonstraram essa qualidade…nós também temos potencial pra isso, falta ver na prática.

LE: Guerrinha, você como jogador e técnico ganhou quase tudo. Ainda existe algum sonho profissional na sua carreira?

Guerrinha: Lógico, a gente tem que sonhar sempre, né? Meu maior sonho hoje é ver essa equipe vencedora. Porque se a equipe de Bauru for vencedora, vencer um NBB, Liga das Américas, ir para a pré-temporada da NBA, ela vai mostrar um projeto extra-quadra diferente, que nenhuma equipe tem hoje, o modelo Paschoalotto administrativo. Temos gestor profissional, um trabalho fora da quadra muito bem estruturado, contrato de 3, 4 anos com os jogadores, possivelmente a Paschoalotto vá anunciar renovação até 2020, isso a gente não vê no esporte brasileiro. Uma empresa com a credibilidade e visão investir no esporte como a Paschoalotto. (…) Seria uma retribuição pessoal da ‘família’ para a cidade que tanto fez para eles estarem onde estão como equipe e empresa.


  • VIA
  • Lucas Guanaes
  • TAGS
  • Basquete
  • Bauru Basket
  • Bauru e Interior
  • Entrevista
  • LE
  • Lucas Guanaes

  • SHARE THIS POST

2014/11/02 0 0

Bauru Basket Sem Limites

fabio-toledo MORE
PREVIOUS ARTICLE
2014/11/28 0 0

Bauru agora é internacional!

fabio-toledo MORE
NEXT ARTICLE

ABOUT AUTHOR

Lucas Guanaes
Estudante de jornalismo e fotógrafo. Ala nas horas vagas, abomina o escanteio curto.

Leave a comment

| Cancel reply
Your email address will not be published. Required fields are marked. *
  • VEJA TAMBÉM
  • 07/17/2018 0 0
    RENATO SCHOLZ É DO DRAGÃO
  • 07/17/2018 0 0
    “VOLÂNCIA” ALVIRRUBRA
  • 07/16/2018 0 0
    CLASSIFICAÇÃO HISTÓRICA DO NBB
  • 07/13/2018 0 0
    TRIO DE LATERAIS
  • 07/12/2018 0 0
    ZAGUEIROS NO ALFREDÃO

Arquivos

  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • agosto 2015
  • junho 2015
  • maio 2015
  • abril 2015
  • março 2015
  • fevereiro 2015
  • janeiro 2015
  • novembro 2014
Locomotiva Esportiva © 2018 Todos os direitos reservados