BALANÇO DA TEMPORADA
Por Fabio Toledo
Foto: Carlos Decourt
De forma abrupta, a Superliga Feminina de Vôlei precisou ser encerrada em decorrência da pandemia do novo coronavírus. As incertezas sobre quando tudo se normalizaria, com a possibilidade desse tempo se estender demais e prejudicar a temporada seguinte, fez com que a temporada 2019-20 do voleibol nacional chegasse ao fim.
O gosto é amargo, mas o momento também dá oportunidades para a movimentação no mercado. Ainda mais agora, com a extinção do ranking da CBV e aumento de uma estrangeira a mais possível por equipe. Então, torna-se fundamental fazer um balanço da temporada e, sem dúvidas, o Sesi Vôlei Bauru assim já fez.
Se a Superliga não teve um final, o desempenho na fase classificatória precisa ser avaliado, bem como o conteúdo completo de 2019-20. Começando pelo Campeonato Paulista, competição na qual o Vôlei Bauru apresentou suas novidades para a temporada: a levantadora Dani Lins, a central Mayhara, a ponteira norte-americana, Sarah Wilhite, e a oposta do Azerbaijão, Polina Rahimova. Contratações pontuais, que davam ao Sesi a sensação de ir além com relação à temporada anterior.
Em boa parte da competição estadual, atletas vindas da base do Sesi tiveram espaço para jogarem. Kimberlly, Glayce, Lara, Júlia e Iarla foram utilizadas nesta etapa e tiveram boas exibições, especialmente Kimberlly e Glayce. O desempenho na primeira fase do Paulista foi, em termos de resultado, impecável, com 100% de aproveitamento. Os desempenhos, no entanto, quase sempre deixavam a desejar, seja pelo time não conseguir manter o ritmo de jogo, ou mesmo pelo excesso de erros em fundamentos chaves, como o saque e o bloqueio.
As vitórias mascaram erros, levando ao marcante jogo contra o São Paulo/Barueri, na semifinal. Depois de vencer fora de casa, o Vôlei Bauru só precisava vencer na Panela de Pressão pra assegurar a segunda decisão estadual em dois anos. Porém, quem foi senhor do jogo foi Barueri. Sobrando diante de um errático Sesi Vôlei Bauru, o jovem time tricolor, comandado por Zé Roberto Guimarães, fez 3 x 0 e ainda bateu as bauruenses no Golden Set.
Foto: Lucas Guanaes
A eliminação impactou o grupo comandado por Anderson Rodrigues. A estreia na Superliga, contra o Pinheiros, foi prova clara. Mesmo depois de Edinara, imparável no jogo, se lesionar, Bauru não conseguiu se impor o suficiente pra vencer e caiu na capital paulista no tie-break contra um adversário que não estaria em seu nível. Ainda que tenha exorcizado o fantasma do Barueri na sequência, o primeiro turno da Superliga do Sesi Vôlei Bauru seguiu bastante irregular.
Contra os adversários diretos pelas primeiras posições, um grande volume de erros impediu que a equipe não obtivesse nenhuma vitória. Isso também levava Bauru a ficar distante do G4. Precisava uma recuperação no returno para voltar a sonhar com um bom posicionamento na classificação. E isso de fato aconteceu. Em três jogos, foram três vitórias, além de um triunfo sobre Osasco na Copa Brasil. Além disso, Adenízia chegou pra reforçar o meio de rede, prometendo força máxima para os Playoffs.
Na semifinal da Copa Brasil, Bauru teve a chance de alçar outro patamar na temporada, encarando o Sesc RJ. Contudo, o que se viu em Jaraguá do Sul foi um grande desastre: domínio absoluto do Rio, que fez 3 x 0, com direito a parcial de 25 x 14. Com isso, ficou a sensação de que seria mais uma temporada do Sesi Vôlei Bauru ficando mais próximo, mas ainda distante das equipes dominantes. Ao menos, a equipe superou o Osasco, dominando o rival em pleno José Liberatti, o que garantiu a quarta posição na fase classificatória da Superliga.
Foto: João Pires/Fotojump
Sai ou fica?
Em suma, a temporada do Sesi Vôlei Bauru deixou a desejar, principalmente porque se esperava evolução da equipe com relação à temporada anterior. Ainda assim, existem aspectos positivos que garantem um planejamento mais avançado para a época seguinte. Além disso, a maior abertura a contratações causará grande impacto para as definições de elenco. A avaliação individual das atletas se faz de muita importância e, sendo assim, como já é tradicional na LE, fazemos este exercício, analisando o desempenho das atletas.
Iarla | Levantadora
Vinda da base do Sesi, a jovem levantadora teve aquele clássico papel de vir do banco para sacar, comum a muitas atletas iniciantes nas competições adultas, e assim teve bons momentos. É difícil prever mais espaço para Iarla no time, para além dos serviços. Assim, se ficar, seria para cumprir o mesmo papel na próxima temporada. Resta saber se, aos 20 anos, ela pretende se testar em obrigações maiores, em uma equipe de menor investimento.
Naiane | Levantadora
Aos 25 anos, Naiane tem experiência acumulada em passagens por Pinheiros, Minas, Barueri e Bauru, sempre como uma opção à levantadora titular. Na última temporada, teve pouco espaço para jogar, mas ainda assim apareceu com qualidade no confronto diante do Praia Clube, na reta final da primeira fase da Superliga. A paraense tem potencial para figurar na seleção brasileira nos próximos anos, mas necessita de espaço para mostrar toda a sua capacidade. Caso não seja em Bauru, outros lugares estão dispostos a confiar no seu jogo.
Dani Lins | Levantadora
A campeã olímpica em 2012 era a substituição automática após a saída de Fabíola para o Sesc RJ. Poucas levantadoras no voleibol brasileiro teriam condições de suceder a altura uma jogadora desse quilate e Dani Lins cumpriu tal papel. É claro e os estilos das atletas são diferentes, Dani sofreu um pouco para se acertar com as atacantes, ainda mais em meio a um caos no passe, mas fez o melhor que pode. Vale ressaltar também seu papel de capitã, fundamental dentro de quadra e fora dela. Por todos esses atributos, sua presença para a próxima temporada é certa.
Lara | Central
Lara teve bastante espaço no Campeonato Paulista, principalmente quando Mayhara e Valquíria estiveram na seleção militar. Teve bons momentos, mas a concorrência no meio de rede era grande demais. A tendência é que isso continue para 2020-21. Aos 20 anos, ainda pode trabalhar seu potencial no Sesi Vôlei Bauru, mas é possível ter mais espaço em outras equipes.
Glayce | Ponteira
A situação de Glayce é parecida com a de Lara. No entanto, a ponteira de 21 anos possui mais rodagem na categoria adulta, chegando a ser titular do time bauruense em três ocasiões na Superliga. Ainda que não tenha conseguido manter um bom desempenho, mostrou potencial, que pode ser trabalhado no próprio Vôlei Bauru ou em alguma outra equipe, com mais espaço. O São Paulo/Barueri teria interesse em seu talento e, se tratando de um time voltado a dar chance a jovens de bom potencial, seria um bom caminho para si.
Gabi Cândido | Ponteira
Depois de duas boas temporadas, já é possível dizer que Gabi Cândido é uma realidade para o voleibol nacional. Deve figurar mais na seleção nos próximos anos e ajustar maior regularidade em seu jogo. Ainda assim, não dá pra tirar dela o fardo do passe ruim da equipe ao longo do ano. Ela foi uma das ponteiras passadoras e teve dificuldades na recepção. Teria condições de permanecer no elenco bauruense, mas há interesse de outras equipes e, com o mercado mais aberto devido ao fim do ranking da CBV, a tendência é a de Gabi partir.
Adenízia | Central
Por mais que sua chegada no início de 2020 pudesse garantir um reforço visando os Playoffs da Superliga, sua contratação já era voltada para a temporada seguinte. Adê chegou em Bauru para pegar ritmo de jogo, ambicionando uma vaga na seleção para as Olimpíadas. Por mais negativa que seja, a alteração da data da maior competição esportiva mundial deu mais tempo para a central apresentar seu jogo. Assim, espera-se que ela tenha uma temporada inteira para mostrar suas capacidades. Com 33 anos e um ouro olímpico no histórico, forma com Dani Lins uma boa base para a próxima temporada.
Júlia | Líbero
Por mais que as outras atletas vindas da base do Sesi tenham realizado boas contribuições ao longo da temporada, Júlia talvez tenha sida quem deixou a melhor última impressão. É difícil ser a líbero reserva, quase sempre não se joga, mas precisa agarrar com todas as forças as oportunidades que tem. E a atleta de 21 anos fez justamente isso. No returno, contra o Sesc, foi à quadra para substituir Tássia, lesionada. Apesar da pressão diante de uma das melhores equipes da Superliga, teve boa atuação, ganhando espaço no time mesmo após o retorno da líbero titular. Apesar das possíveis alterações para a próxima temporada, tem condições de manter a função de líbero reserva, agora com a possibilidade de mais espaço, pois mostrou seu potencial.
Mayhara | Central
O retorno da bauruense ao voleibol da cidade teve altos e baixos. Depois de cinco anos defendendo o Rio, a transição para um novo time não contou com um grande desempenho, principalmente no meio de rede. Na Superliga, sua melhor marca em bloqueios foi de três, realizada em três partidas. Ainda assim, seu bom saque apareceu em outros momentos. Mesmo com bastante concorrência na posição, foi titular na metade das partidas e não atuou em quatro jogos. A probabilidade é da saída de duas centrais, mas Mayhara deve ficar.
Tifanny | Oposta/Ponteira
A camisa 10 do Sesi Vôlei Bauru passou mais uma temporada de altos e baixos, que aconteciam em uma mesma partida. Com a presença de Polina na posição de oposta, Tifanny foi mais utilizada como ponteira e, na necessidade de receber saques, seu ponto fraco no passe prejudicou a equipe bauruense. Mesmo com bons números ofensivos, a compensação às vezes não era suficiente. Assim, no returno, começou mais partidas no banco e tal alteração não deu um pouco mais de solidez no passe, como também melhorou o jogo de Tifanny. Entrando durante os jogos, melhorou seu aproveitamento ofensivo. É possível que este seja seu papel na próxima temporada, seja alternando com Polina ou aumentando o poder de fogo em determinados momentos.
Valquíria | Central
O Campeonato Paulista de Valquíria não foi dos melhores. Principalmente em seu saque, de destaque na temporada anterior, mas bastante errático no início desta. Apesar disso, teve um desempenho positivo na Superliga, sendo mais presente no bloqueio em comparação com as outras centrais. Não por menos, mesmo com Andressa, Mayhara e Adenízia no elenco, foi titular em 19 partidas e só não esteve em quadra diante do São Caetano, na última rodada. Aos 25 anos, segue em processo de crescimento na carreira, agora com a tendência de partir para um novo desafio, havendo interesse do Sesc RJ.
Andressa | Central
A temporada foi um pouco complicada para Andressa, com lesão no decorrer dela, em meio a uma boa disputa por posição no meio de rede. Mesmo assim, a paranaense de 30 anos marcou presença com boa regularidade ofensiva. Porém, a chegada de Adenízia tirou mais tempo de quadra, tendo ela atuado em 7 das 11 partidas do returno. Bauru tem a intenção de mexer no seu grupo de centrais e Andressa deve deixar a equipe.
Sarah Wilhite | Ponteira
É bom que se diga que a chegada de Sarah foi uma aposta do Sesi Vôlei Bauru. A atleta ainda não tem tanto espaço na seleção adulta dos Estados Unidos, mas tinha na bagagem premiações de destaque na sua época defendendo a Universidade de Minnesota, passagem pelo voleibol italiano e alemão. No entanto, em um primeiro momento, esperou-se mais da norte-americana do que ela apresentou em quadra. Seu passe não fluía bem, o aproveitamento ofensivo era baixo e Wilhite chegou ao fim do primeiro turno da Superliga em baixa. Coube ao returno apresentar uma nova jogadora.
Aparecendo muito bem contra Pinheiros, Sesc e Osasco, teve grande momento, mas já voltava a decair no término da primeira fase. Por não ser uma certeza, capaz de ocupar uma das três vagas internacionais, não fica em Bauru. Contudo, daqui a algumas temporadas, caso se consolide, pode voltar a figurar no voleibol brasileiro.
Kimberlly | Oposta
Fechando o grupo de jovens atletas vindas da base do Sesi, Kimberlly começou a temporada como a jogadora com maior potencial a apresentar. Enquanto Polina não estava na equipe, ela teve espaço e realizou boas partidas no Campeonato Paulista. Porém, isso não foi suficiente para ela garantir oportunidades na Superliga, ficando de fora até do banco em muitos jogos. Apenas na primeira partida do returno, quando Polina não estava disponível, ela entrou e jogo bem mais uma vez. Depois, novamente, não jogou mais. A falta de espaço no Vôlei Bauru pode fazê-la tentar mais oportunidades em outras equipes. Potencial para crescer ela já mostrou que tem.
Polina Rahimova | Oposta
Sem dúvidas, Poli se tornou a queridinha da torcida bauruense – aliás, da Superliga toda, basta ver a tietagem dos fãs de voleibol em todas as quadras que ela jogou. Afinal de contas, ninguém marcou mais pontos na temporada do que a oposta do Azerbaijão. Além da qualidade ofensiva, ninguém conseguiu mais aces na Superliga do que ela. Dos 22 jogos na competição nacional, Polina terminou 12 deles com 20 pontos ou mais. Foi a bola de segurança de Dani Lins na temporada e deve permanecer na equipe para 2020-21, quem sabe agora com um passe acertado pro seu poder de fogo brilhar ainda mais.
Tássia | Líbero
Embora nesta temporada tenha ficado abaixo dos desempenhos de Camila Brait (Osasco), Nyeme (Barueri), Léia (Minas) e Natinha (Sesc), Tássia é uma líbero de ótimo nível. Teve bons momentos na temporada, fazendo seu papel defensivo – com as mãos e com os pés. Não dá pra dizer que ela tem culpa no desempenho ruim da equipe no passe (foi mais por conta das ponteiras), mas fato é que o Vôlei Bauru deve ir atrás de um grande nome internacional nessa posição.
Anderson Rodrigues | Técnico
O desempenho irregular do Sesi Vôlei Bauru pesou bastante na temporada. Com pressões externas, Anderson teve seu cargo em perigo, mas não podemos ser extremos. Fiquemos focados nas escolhas de quadra, nas quais o treinador obteve êxitos e erros. A opção por Tifanny como ponteira deu muito potencial ofensivo ao time, mas também ruiu o passe. Anderson percebeu isso e buscou alternativas, com Gabi, Sarah, Glayce… Fato é que nenhuma atleta teve grande desempenho na recepção. As poucas oportunidades para Naiane e Kimberlly podem ser questionadas, mas fato é que foram mesmo as derrotas além do esperado que deixaram o comandante na berlinda. Ainda assim, caso ocorra a saída de Anderson, seu substituto teria de ser um nome consagrado na função.
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Iarla | Levantadora
Naiane | Levantadora
Dani Lins | Levantadora
Lara | Central
Glayce | Ponteira
Gabi Cândido | Ponteira
Adenízia | Central
Júlia | Líbero
Mayhara | Central
Tifanny | Oposta/Ponteira
Valquíria | Central
Andressa | Central
Sarah Wilhite | Ponteira
Kimberlly | Oposta
Polina Rahimova | Oposta
Tássia | Líbero
Anderson Rodrigues | Técnico
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