BALANÇO DA TEMPORADA 2020-21 | PARTE 3
Por Fabio Toledo
Você pode conferir a retrospectiva do Sesi Vôlei Bauru na parte 1 de nosso balanço. Também pode ver mais sobre o desempenho da equipe nos fundamentos do voleibol na parte 2. Agora, no terceiro e último capítulo, é o momento da análise individual. Quem pode sair e quem tem mais chance de permanecer para 2021-22?
Dani Lins | Levantadora
Começamos por uma atleta experiente e com permanência certa, pois Dani tem sua renovação encaminhada. Aos 36 anos, sua segunda temporada seguida pelo Sesi Vôlei Bauru não foi das mais brilhantes da carreira da campeã olímpica. Principalmente na distribuição ofensiva e na falta de um melhor encaixe com suas atacantes – especialmente Polina. Ainda assim, seguiu na disputa por vaga para ir à terceira Olimpíada, ao apresentar um ótimo aproveitamento no saque e estar entre as levantadoras que melhor compõem o bloqueio. Para 2021-22, seguirá como uma das principais bases para o elenco bauruense.
Carol Leite | Levantadora
A jundiaiense de 28 anos chegou ao Sesi no início da temporada para ser cobertura à Dani Lins. Quando a titular teve dores na lombar e ficou de fora do início da Superliga, Carol realizou boas exibições. Ao longo da competição, seguiu sem comprometer, ao entrar nas inversões do cinco um, geralmente ao lado de Pamela. Cumpriu o papel que já realizava no Sesc-RJ em temporada anteriores e tem condições de fazer novamente em Bauru. Resta saber se ela vai optar por permanecer como reserva numa equipe que briga por G4 ou querer buscar a titularidade em um time de G8. Talvez seja seu momento.
Laissa | Levantadora
Campeã paulista sub-17 e sub-19, com 18 anos completados no mês de março, Laissa é uma das atletas da base do Sesi Bauru que complementam o elenco adulto. Não atuou na Superliga, mas segue em desenvolvimento na categoria de base. Dependendo da montagem do grupo bauruense para 2021-22, a partir de uma filosofia com maior presença de jovens na equipe, pode ganhar algum espaço.
Tifanny | Ponteira
É fato que o jogo de Tifanny flui melhor como oposta, principalmente por não colocá-la na linha de passe. Contudo, em mais uma temporada, ela foi utilizada como ponteira. É bem verdade que, no início da Superliga, seu passe estava melhor que o de Suelle, mas logo Tifanny voltou a sofrer na recepção e perdeu a titularidade. Ganhou mais espaço novamente nos desfalques por lesão de outras ponteiras e foi importante no trabalho ofensivo do Sesi Vôlei Bauru na reta final da Superliga. No entanto, o grande problema para a atleta, além dos erros no saque, é o condicionamento físico. Aos 36 anos, ela tem encontrado problemas para atuar em alto nível nos jogos mais longos. Caso permaneça em Bauru, vai precisar cumprir uma função de suplente, onde encontrou seus melhores desempenhos nas três últimas temporadas.
Zanandrya | Ponteira
Promessa do voleibol paraibano, a jovem de 18 anos foi mais uma campeã paulista na base a participar de treinos com o time adulto. Pode ganhar algum espaço na reformulação do time adulto, mas a tendência é mesmo dela ser utilizada no time sub-19, compondo a equipe principal caso tenha a necessidade.
Dobriana | Ponteira
A búlgara chegou ao Sesi Vôlei Bauru no returno da Superliga, com a expectativa de elevar o nível da equipe. Isso aconteceu em certos momentos, mas Dobriana seguiu a inconstância das ponteiras. Não se destacou no saque, nem na recepção. Porém, quando esteve em quadra, contribuiu na distribuição ofensiva, sendo um terceiro nome para Dani Lins no ataque. Com ela em quadra, Polina e Tifanny chegaram com mais condições físicas para a decisão dos jogos mais longos. Contudo, uma lesão no menisco a deixou de fora das semifinais, contra o Minas. Por seu valor no mercado, dificilmente fica. Mas que seria um ótimo nome para se manter, pela dedicação apresentada dentro e fora das quadras, seria.
Vanessa Janke | Ponteira
O retorno da catarinense ao Sesi Vôlei Bauru foi um tanto surpreendente. Afinal, Vanessa vinha de duas temporadas irregulares, tanto em Bauru como em Osasco. Apesar da baixa expectativa, teve um momento na Superliga em que ela possuía o melhor passe entre as ponteiras bauruenses – justamente enquanto era reserva. Mesmo quando ganhou a titularidade, não comprometeu tanto na recepção. O problema mesmo era a baixa produtividade ofensiva. Para uma equipe que busca títulos, é fundamental ter ponteiras que cumprem bem mais de uma função. Ser “ok” em uma ou duas é insuficiente. Portanto, Vanessa deve abrir espaço para uma atleta de maior potencial.
Suelle | Ponteira
A curitibana de 33 anos fez a pré-temporada com o Sesi Vôlei Bauru, sendo uma das últimas a ser anunciada para a temporada. Vale sempre lembrar que Suelle ficou um ano sem jogar, pois fez cirurgia no ombro, após sua passagem pelo voleibol japonês. Ao longo da temporada, ainda sofreu uma entorse no tornozelo e voltou a sentir uma lesão antiga no abdômen. Porém, não é justificativa para o baixo rendimento no passe, principalmente no primeiro turno. Ela teve seus bons momentos, mas seguiu a irregularidade das demais ponteiras. Além disso, assim como Vanessa, teve baixa efetividade no passe. Dificilmente permanece.
Mari Cassemiro | Ponteira
Em termos técnicos, foi a contratação menos compreendida da temporada. Retornou a Bauru mais pelo histórico nos projetos do Sesi e do Vôlei Bauru do que pelas exibições nas últimas temporadas. Como era de se esperar, pouco jogou. Por outro lado, muito se comentou sobre sua contribuição extra quadra, auxiliando outras atletas. Ainda assim, seguiu sem tanto sentido sua passagem pela equipe, assim como não faria uma renovação. Aos 34 anos, pode ser útil em equipes menores. No Sesi Vôlei Bauru, como jogadora, não é.
Malu | Oposta
A catarinense de 18 anos foi uma das mais gratas novidades do Sesi Vôlei Bauru na temporada. Chegou ao projeto no início de 2020, após se destacar nos Jogos Escolares da Juventude e receber o troféu de melhor atleta escolar no vôlei do Prêmio Brasil Olímpico. Mal havia acabado de completar a maioridade e já se destacava em uma das partidas do Campeonato Paulista. Ao longo do primeiro turno da Superliga, saía do banco para sacar, mas perdeu a função no returno. Malu é uma joia a ser trabalhada no Sesi Bauru e que poderia ter espaço no adulto já nesta próxima temporada.
Pamela | Oposta
Após chamar atenção no Fluminense, a jovem de 21 anos veio a Bauru para ser melhor trabalhada. Possui semelhanças na composição física com a principal oposta brasileira, Tandara. Contudo, segue muito distante da campeã olímpica que, nesta idade, já era destaque do Vôlei Futuro e uma das maiores pontuadoras da Superliga. No returno do certame nacional, Pamela foi opção para o saque e poucas vezes entrou na inversão do cinco um. Precisa desenvolver sua condição física, principalmente a capacidade de impulsão. Segue com potencial, mas vai precisar de espaço para jogar, o que não deve acontecer no Sesi Vôlei Bauru.
Polina | Oposta
Ninguém pontuou tanto nesta Superliga do que a oposta azeri do Sesi Vôlei Bauru. Sua composição de bloqueio também foi importante, além do saque, quando este encaixava. Por outro lado, também foi uma temporada desgastante para Polina fora das quadras. Tanto pela situação em que seu país, Azerbaijão, passou, como pelas discussões com torcedores em redes sociais, polêmicas inúteis e pelas situações internas do elenco. Dentro de quadra, a falta de uma maior variação no ritmo ofensivo e a pouca mobilidade na defesa também chamaram a atenção negativamente. Ainda assim, poderia valer a pena sua permanência, não fosse o momento financeiro de baixa. Polina tem mercado onde quiser e logo irá encontrar uma nova equipe.
Mara | Central
Em termos de grupo, Mara é uma das maiores agregadoras do elenco do Sesi Vôlei Bauru. Garante um bom clima à qualquer equipe. Na relação de quadra, ela chegou para fazer melhor do que Valquíria e Andressa apresentaram em temporadas passadas. Porém, não dá pra dizer que isso de fato aconteceu. Foi a única atleta a estar presente nos 28 jogos da Superliga realizado pela equipe bauruense. Contudo, teve pouca atuação ofensiva e seu trabalho no bloqueio foi irregular. Essa falta de presença na rede contribuiu para gerar dúvidas sobre sua permanência. Ainda mais com bons e promissores nomes no mercado.
Adenízia | Central
A grande estrela do meio de rede bauruense foi repatriada no meio da última temporada. Com uma pré-temporada, a expectativa era de um alto rendimento da campeã olímpica, para rivalizar com sua parceira de Londres 2012, Thaisa. Acontece que, na realidade, Adê não chegou perto do desempenho da central do Minas. Muito pelo contrário: perdeu a titularidade no começo do returno para Fê Ísis. Uma ligeira passagem pelo banco foi acompanhada pelo crescimento do seu jogo. Em quase todas as principais vitórias da equipe, Adenízia tinha uma boa apresentação. A questão, como de todo o elenco, era a regularidade. Pode permanecer para a próxima temporada, mas não é uma unanimidade na posição.
Kátia | Central
Mais uma jovem que fez parte do grupo bauruense, Kátia é outro bom nome trabalhado na base que teve um momento de brilho no Paulista. Deve seguir sendo desenvolvida no sub-19 ou mesmo no recém criado sub-21, subindo ao adulto caso haja a necessidade de completar um treino.
Mayhara | Central
Pelo nível dos treinos de pré-temporada, de olho em Tóquio, tudo indicava para uma ótima temporada de Mayhara em sua cidade natal. Porém, no último treino antes da estreia no Paulista, uma lesão no joelho a tirou das quadras por todo o semestre. Apesar do lamento por nem mesmo ter a chance de concorrer a uma vaga olímpica, precisou se concentrar na recuperação e estará pronta para o retorno na próxima temporada. Seria uma boa o Sesi Vôlei Bauru apostar no retorno em grande estilo da central.
Fê Ísis | Central
Ela se encaminhava para o Distrito Federal, quando veio o chamado do Sesi Vôlei Bauru. Então, Fê Ísis foi apresentada para substituir Mayhara no elenco bauruense. No início, houve questionamentos se a atleta de 36 anos conseguiria estar no nível exigido pela equipe. Talvez, essa dúvida também tenha pairado pela mente de Anderson Rodrigues, que só a utilizou quando tudo parecia estar perdido, no jogo 2 da final do Paulista. Rubinho também a utilizou menos do que poderia. Ainda assim, ela conseguiu dar sua contribuição na campanha de semifinalista da Superliga e superou os questionamentos.
Julia | Líbero
Mais uma temporada que Julinha mostra condições para ser uma boa líbero na Superliga, embora tenha ficado pouco tempo em quadra. Depois de ser reserva de Tássia, ela foi suplente de Brenda Castillo. Porém, na irregularidade do passe das ponteiras, entrou na função para garantir melhores condições de trabalho para Dani Lins. Agora, a sequência da jogadora no projeto é uma dúvida. Afinal de contas, aos 22 anos, precisa de mais tempo em quadra para provar suas capacidades e se desenvolver na posição. É pouco provável que o Sesi Vôlei Bauru aposte mais nela, restando poucas opções para Julia, a não ser buscar espaço em um novo time.
Brenda Castillo | Líbero
A dominicana foi a grande contratação de início de temporada do Sesi Vôlei Bauru. Durante a temporada, mostrou a competência de sempre, embora não fosse suficiente para deixar o time mais regular. Ao lado de Julia, foi quem entregou o melhor passe da equipe e contribuiu com a ótima cobertura do fundo quadra. Contudo, a redução de investimento do time bauruense e a vontade da jogadora em passar mais tempo com a família, na República Dominicana, devem ser fatores para o encerramento da segunda passagem de “la reyna del Caribe” na Cidade Sem Limites.
Rubinho | Técnico
O treinador chegou numa “fogueira”. Há poucos dias da estreia na Superliga, substituiu Anderson, num “naipe” que não possuía tanto conhecimento, em um ano tenebroso, no qual ainda teve que ultrapassar o problema da Covid-19, que lhe prejudicou diretamente. Aprendeu a treinar um time de voleibol feminino ao longo da temporada e encerrou bem a competição nacional. A evolução do Sesi Vôlei Bauru ao longo da temporada foi claro. Rubinho errou em alguns momentos, ao optar por certas jogadoras e menos por outras, mas isso é comum. Ele merece uma oportunidade para montar um elenco mais com sua cara, tendo uma pré-temporada e pegando um projeto de reformulação desde o início.
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Dani Lins | Levantadora
Carol Leite | Levantadora
Tifanny | Ponteira
Dobriana | Ponteira
Vanessa Janke | Ponteira
Suelle | Ponteira
Malu | Oposta
Pamela | Oposta
Polina | Oposta
Mara | Central
Adenízia | Central
Mayhara | Central
Fê Ísis | Central
Julia | Líbero
Brenda Castillo | Líbero
Rubinho | Técnico
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