2002 – O DRAGÃO VOOU ALTO
Há 15 anos, Tilibra/Copimax conquistava o Brasil. Saiba qual foi a trajetória do elenco após o título
Por Fabio Toledo
14 de junho de 2002. Abarrotada, a Panela de Pressão via o maior momento da história esportiva bauruense em anos. Após uma campanha primorosa que garantiu a liderança na fase de classificação, o Tilibra/Copimax chegou aos playoffs buscando confirmar sua superioridade. Após fazer 3 a 1 no Universo/Minas, encarou o COC/Ribeirão, que anteriormente varrera o Flamengo de Oscar impiedosamente.
Foram cinco confrontos contra o campeão paulista invicto daquele ano. No tudo ou nada da quinta partida, o Dragão despachou o time de Alex, Nezinho, Giovannoni e companhia. Assim, o escrete da Sem Limites chegava à grande final, contra a surpreendente Uniara/Fundesport. Afinal, a equipe de Araraquara, 6ª na primeira fase, varreu o fortíssimo Vasco, de Helinho, Demétrius, Jefferson Sobral e Nenê Hilário, nas semis, além de superar o Uberlândia, de Valtinho, Paulão e companhia.
Foto: Reprodução
A série de duelos contra o esquadrão araraquarense, que tinha o experiente pivô Pipoka e perigosos chutadores como Arnaldinho e Ratinho, teve domínio bauruense especialmente nos dois primeiros jogos. No Gigantão, em Araraquara, vitória por 87 a 72. Em Bauru, 84 a 66, deixando a equipe com chances de título já na terceira partida. Ali, na abarrotada Panela, empurrados pelas palmas que entoavam o hino We Will Rock You, da banda Queen, o Dragão chegou ao topo do país.
“É campeão! É campeão!”, o grito que se ouvia em toda a cidade marcou a geração que consagrou o projeto de cinco anos de existência. Um time montado com pedigree de verdadeiros campeões.
As equipes
Tilibra/Copimax: Armadores – Raul, Leandrinho e Fernando Reis | Alas – Cesar, Vanderlei, Jeffty, Soró e Marquinhos | Pivôs – Brasília, Josuel, Everaldo e Murilo | Técnico: Guerrinha
Uniara/Fundesport: Armadores – Arnaldinho, Pedro e Márcio | Alas: Ratinho, Junior e Jorginho | Pivôs – Pipoka, Toninho, Luís Fernando, André Bambu e Edvaldo | Técnico: Tom Zé
Que fim levou?
Um time histórico, para sempre lembrado pela torcida bauruense pelo que fizeram há 15 anos. Mas, o que se passou com cada um deles após a conquista do Brasileiro? Descubra agora!
Foto: Divulgação/LNB
Raul
Campeão aos 38 anos, Raul era o símbolo da experiência em quadra. Ainda disputou o Brasileiro seguinte, o último do Bauru Basquete. Foi o primeiro treinador do projeto Plasutil/Sukest/Bauru Basket, rumando posteriormente para o Minas Tênis Clube, onde foi assistente. Também treinou o sub-16 do Brasil e foi auxiliar de Moncho Monsalve na curta passagem do espanhol pela seleção principal. Atualmente comanda a equipe da Caldense, em sua cidade natal, Poços de Caldas.
Foto: Divulgação
Leandrinho
Em 28 de dezembro de 2000, o Tilibra/Copimax anunciava a chegada de um garoto de 18 anos, revelação do Paulista daquele ano pelo Palmeiras. Ele chegou Leandro, mas logo cresceu e, ironias a parte, tornou-se Leandrinho. Só que seu nome não ficou nisso. Draftado pelo San Antonio Spurs e repassado para o Phoenix Suns, virou Leandro Barbosa. Encantando o pessoal do Arizona, se transformou no Brazilian Blur. Após 7 anos em Phoenix, foi para o Toronto Raptors.
Defendeu o Flamengo durante o lockout da NBA em 2011, mas voltou para os EUA. Defendeu também o Indiana Pacers e Boston Celtics, até ser colocado em cheque por uma lesão. Sem espaço na NBA, acertou sua ida para o Pinheiros, onde provou seguir em alto nível. Seu desempenho brilhante o garantiu o retorno ao Phoenix Suns. Posteriormente, foi para o Golden State Warriors, onde conquistou a liga como uma das forças do banco do elenco comandado pelos Splash Brothers, Curry e Thompson. No final da última temporada, voltou ao Suns, onde está no momento, aos 34 anos.
Foto: Divulgação/LNB
Fernando Reis
O terceiro armador do Dragão era outro que começava a carreira, levando o título com 20 anos de idade. Em 2003, foi para a própria Uniara. Chegou a retornar à Bauru em 2006, mas pouco tempo ficou. Defendeu o Jundiaiense, Liga Sorocabana, Rio Pardo, América e Lins, por onde atuou nesta última temporada, já com 36 anos. No NBB, vestiu as camisas do Assis (2008-09) e do Vila Velha (2012-13).
Foto: Divulgação/Vôlei Bauru
Vanderlei
Atleta de espírito vencedor, Vanderlei era um dos grandes alas do basquete nacional na época. Com 29 anos, foi campeão pelo Dragão. Na temporada seguinte, foi para o Universo/Ajax, de Goiânia, depois para o Campos (RJ), Joinville, Telemar e Ulbra. Encerrou sua carreira no Rio Claro em 2009, quando já começou a fazer parte da comissão técnica da seleção. Posteriormente, foi coordenador de seleções e da base do Brasil. Em 2017, aos 44 anos, foi anunciado como gestor do Vôlei Bauru.
Foto: Divulgação/Franca Basquete
César
Um dos atletas com mais equipes no currículo atualmente, sempre mostrando qualidade por onde passa. Cesar Luiz Fabretti Araújo jogou pelo Bandeirantes/Rio Claro, Lupo/Araraquara, Presidente Prudente e Inter de Santos. Disputou seu primeiro NBB em 2009-10 pelo Pinheiros, depois jogou pela Liga Sorocabana, Tijuca, foi vice-campeão com o Paulistano, atuou pelo São José, até chegar ao Franca no início da temporada 2016-17. Atualmente tem 36 anos.
Foto: Divulgação/CBB
Jeffty Connelly
O californiano foi o cestinha bauruense no jogo 3 da final, seu último na carreira. Aos 35 anos, o atleta formado pela Santa Clara University tinha defendido equipes de ligas menores nos EUA até desembarcar no Brasil, em 1992. Defendeu primeiro o Minas, depois Rio Claro, Mogi e COC. Retornou ao Mogi/Valtra e chegou ao Bauru em 2001. Agora, Jeffty tem 50 anos e vive em San Diego, na Califórnia.
Foto: Washington Alves/Light Press
Soró
O ala não entrou em quadra na final, mas fazia parte do elenco. O sorocabano defendeu posteriormente ao título o Pinheiros, Rio Claro e Cocodrilos (Venezuela). Pelo NBB, jogou a temporada de estreia pelo Minas, retornou a Bauru na segunda, defendeu o Uberlândia dois anos seguidos e o time de sua cidade natal em 2012-13. Disputou a Liga Ouro 2014 pelo Campo Mourão. Depois, vestiu a camisa do Botafogo, Joinville, Brusque, Contagem Towers e Santos do Amapá.
Foto: Divulgação/CBB
Marquinhos
Ele ainda nem era chamado assim. Aos 18 anos, era Marcus Vinícius, um dos atletas de grande potencial do elenco. Pouco entrava em quadra, devido à concorrência em sua posição. Mas isso não impediu sua decolagem. Após o título, foi para o basquete italiano, onde acabou emprestado ao Vasco. Posteriormente, esteve no Corinthians/Mogi, voltando à Itália na sequência.
Também esteve no São Carlos em 2005, porém seu ápice foi a ida para o New Orleans Hornets. Na NBA, chegou a ser enviado à D-League e foi trocado com o Memphis Grizzlies, onde esteve por dois dias. Dispensado, voltou ao Brasil. Disputou três NBBs pelo Pinheiros, com outra passagem pela Itália entre eles. Em 2012, acertou sua ida para o Flamengo e, desde então, defende o Rubro-Negro na Gávea, sendo também o principal ala do basquete nacional. Está com 33 anos.
Foto: Gullit Pacielle
Brasília
Pivô de muita categoria, o filho da capital federal defendeu o Bauru Basquete também em 2003. Após a parada em 2004 no basquete bauruense, defendeu o Unitri/Uberlândia, UniCEUB/Brasília, que também representou o Vasco no Carioca de 2007. Pouco atuou no NBB pelo Brasília, tendo mais partidas entre 2010 e 2012 novamente com Uberlândia, por onde também foi assistente e técnico interino após a saída de Hélio Rubens, em 2014. Está com 45 anos, mas não largou o ambiente esportivo. Em Uberlândia, criou o primeiro box oficial de CrossFit da região e também participa de competições na modalidade.
Foto: Wagner Carmo/Exemplus/COB
Josuel
Aristides Josuel dos Santos, nascido em Barueri, de muito sucesso por onde passou. Afinal, não é todo mundo que é chamado de melhor jogador do Brasil em certo período por Oscar Schmidt. Após o elogio no título carioca de 1999, foi campeão no Tilibra/Copimax. Depois, jogou pelo Vasco, Corinthians/Mogi, Telemar e Pinheiros, clube pelo qual disputou os três primeiros NBBs. Após uma lesão, deixou a equipe, ainda tentou permanecer atuando, mas deixou as quadras. Foi treinador de pivôs do Paschoalotto/Bauru em certo período. Atualmente com 47 anos, mora em Agudos.
Foto: Reprodução/Facebook
Everaldo
O jogador revelado pelo Monte Líbano tinha 31 anos e era bastante importante na rotação bauruense. Após o título, foi para o Campos, do Rio de Janeiro, seguindo para o também fluminense Telemar (onde foi campeão nacional em 2005) e depois para o Uberlândia. Ainda passou pelo Paulistano e encerrou a carreira no Rondonópolis em 2012, residindo na cidade mato-grossense até hoje. Está com 46 anos e manteve a paixão por esportes com o ciclismo.
Foto: Divulgação/Vasco
Murilo
O gigante de Farroupilha tinha 19 anos, mas já participava ativamente da rotação. Tanto que anotou 10 pontos no derradeiro jogo da final. Permaneceu na Sem Limites para o último ano do Bauru Basquete em 2003 e, no ano seguinte, foi para o Corinthians/Mogi. Defendeu o COC Ribeirão e o Franca antes de desembarcar na Europa em 2007. Atuou no basquete búlgaro pelo PBK Academick e no israelense pelo tradicional Maccabi Tel-Aviv. De volta ao Brasil em 2008, vestiu as cores do Minas, mas seu sucesso veio mesmo em São José dos Campos, onde foi eleito o MVP da temporada 2011-12 do NBB. Em 2013, voltou a Bauru onde foi importante no título da Liga das Américas e nos dois vice-campeonatos do NBB do Dragão. Em 2016-17, jogou pelo Vasco da Gama.
Foto: Antonio Penedo/Mogi-Helbor
Guerrinha
O grande comandante do escrete bauruense já era considerado herói após título de 2002. Mas seu retorno, reforçando o espírito do Bauru Basket para o projeto crescer ainda mais o rendeu até mesmo condecorações do poder público da cidade. Depois de ser campeão, comandou o COC e o Bandeirantes/Rio Claro. De volta à Bauru, foi mais que um treinador. Buscou até mesmo patrocínios quando necessário e foi um dos responsáveis por manter a semente basqueteira no coração do bauruense.
Pelo Dragão, conquistou outros dois títulos paulistas, a Liga das Américas e esteve na área técnica nos históricos jogos contra Real Madrid, New York Knicks e Washington Wizards. Porém, foi surpreendentemente demitido pouco depois desses grandes confrontos. Ficou a temporada 2015-16 sem equipe (até mesmo a possibilidade dele comandar o ressurgimento do basquete do Corinthians foi levantada), fechando com o Mogi das Cruzes/Helbor para 2016-17.
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- Fabio Toledo
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2 Comments
daniel camargo
08. nov, 2018Boa tarde Fábio, o Marquinhos (no basquete do Flamengo à algum tempo) jogou por Bauru? abraço
Equipe LE
09. nov, 2018Olá, Daniel, tudo bem?
Jogou sim, logo no início de sua carreira, no ano de 2002. Foi seu primeiro clube como profissional.
Abraços