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2017/05/06 0 0

A SITUAÇÃO DO VÔLEI BAURU

Saída do patrocinador master, projetos sociais e categorias de base, reforços e dispensas, entenda cada um dos assuntos tratados na coletiva de imprensa da última quinta-feira

Por Lucas Guanaes

Um mês e meio se passou após o fim da temporada para o então Genter Vôlei Bauru. Duas saídas, algumas renovações e uma contratação depois, a diretoria da equipe convocou uma entrevista coletiva na manhã da última quinta-feira para tratar de alguns assuntos com a imprensa. Vamos explicar cada um deles e quais as suas causas e consequências para a equipe.

Patrocínio Master

A notícia de maior impacto no cenário da modalidade foi a saída da Genter Soluções em Recursos Humanos da cota master de patrocínio da equipe, que agora volta a se chamar apenas Vôlei Bauru. A Genter faz parte do mesmo grupo da CONCILIG Recuperação de Crédito, que nomeava o time até a temporada retrasada. As empresas são controladas pelos irmãos Rogério e Reinaldo Mandaliti, que continuarão apoiando o time, mas com uma cota menor.

“Sabemos que o esporte em Bauru é feito por abnegados e a família Mandaliti é uma delas. Eles não mediram esforços em auxiliar a equipe e ajudaram muito mais do que estipulava os valores do contrato de patrocínio. Graças a toda essa dedicação e amor ao nosso time mudamos nosso status e obtivemos grandes conquistas, como os títulos da Copa São Paulo e da Copa Santiago Seguros, e o quinto lugar na última edição da Superliga, o que não é pouca coisa. Por isso, só temos a agradecer o que eles fizeram e ainda continuarão fazendo pelo projeto do Vôlei Bauru” – Adriano Pucinelli, presidente do Vôlei Bauru

A mensagem passada pela diretoria é positiva, apesar da queda no investimento, como dito por Reinaldo Mandaliti: “Não é uma saída do grupo Mandaliti do patrocínio master. Na verdade, estamos abrindo caminho para que outras empresas que precisem do marketing esportivo, que vivem do varejo, possam assumir uma cota master dentro do Vôlei Bauru”.

Em tempo. Na última temporada, a equipe alvirrubra trabalhou com um orçamento de cerca de 2,5 milhões de reais no ano, e a cota ocupada pelos irmãos Mandaliti representava cerca de 25% deste valor.

São dois os espaços que podem ser ocupados por dois patrocinadores master no nome da equipe. Nunca, porém, houve um preenchimento total das cotas. Agora, as duas “vagas” estão abertas. Porém, a expectativa é grande por parte da diretoria. Afinal, com o crescimento do time dentro e fora de casa, o espaço na mídia, tanto as tradicionais, quanto as do nicho do voleibol, cresceu muito, aumentando a popularidade do time e expansão da marca. O presidente completa:

“Além de nossa campanha histórica, que culminou com o quinto lugar e a classificação inédita às quartas de final, fomos o quarto time a ter mais jogos transmitidos na fase classificatória, ficando atrás somente do Rio de Janeiro, Osasco e Praia Clube, e somente nosso jogo contra o Osasco aqui em Bauru teve audiência televisiva de mais de 340 mil pessoas. De maneira global entre as equipes que disputaram a última edição da Superliga, o espaço ocupado na mídia televisiva cresceu 13% em relação à temporada 2015/2016 e atingiu a cifra de mais de R$ 700 milhões nesse quesito.”

Corrente da Vida

Apesar de ainda continuarem com uma cota menor na equipe principal do Vôlei Bauru, os irmãos Mandaliti auxiliarão em um novo projeto social: a Corrente da Vida. Usando a base já existente pelo Esporte Mais Feliz, que atende cerca de 450 crianças em Bauru, o novo projeto deverá ser bem mais robusto, tanto em investimento, quanto no número de crianças atendidas.

A ideia é claramente inspirada em outros dois projetos já existentes. O primeiro é a ABDA, Associação Bauruense de Desportos Aquáticos, que, entre os esportes na piscina e o atletismo, atende a mais de 4.000 crianças em Bauru e região e é capitaneado pela Zoppone. Além de todo o fator social, o projeto já começa a revelar grandes atletas para o esporte brasileiro, vide os resultados nos torneios de natação, como o Maria Lenk, Sul-americano de polo aquático e no atletismo.

Já o segundo está no campo do vôlei. Em Osasco, enquanto a equipe principal é patrocinada pela Nestlé, a base recebe o apoio do Bradesco, o qual já deu nome ao time adulto também, no meio da década passada. Competindo em bom nível nas divisões inferiores, a base osasquense revela inúmeras atletas para o vôlei nacional e também servirá de moldes para o projeto bauruense a médio e longo prazo.

A Corrente da Vida fará parcerias com as escolas municipais de Bauru para planejar quais os melhores pontos para o projeto atuar, localização física, etc. A meta é criar duas novas categorias por ano, até que se complete para todas as faixas etárias de maneira correta. Outro número a ser buscado é o de aumentar o atendimento a 800 crianças por ano. Seriam 800 já em 2017, 1.600 no próximo ano e assim por diante, até chegar a 3.200. Apesar de Bauru possuir, a nível profissional, apenas a equipe feminina, o projeto irá abranger tanto meninas quanto meninos.

Assim, o Vôlei Bauru busca não só um patrocinador master, mas também apoiadores para a Corrente da Vida, que já conta com o aporte dos irmãos Mandaliti. A ideia é tirar o projeto do papel o mais rápido possível e já dar início às atividades.

Novo gestor

Até então, no organograma do Vôlei Bauru, presidente e patrocinador master vinham logo acima da comissão técnica. Portanto, não havia alguém que cuidasse especificamente do dia a dia da equipe, tal qual nas outras modalidades que atuam em alto nível na cidade de Bauru. Agora, não mais. Vanderlei Mazzuchini Junior foi anunciado como gestor da equipe e também cuidará do projeto social.

Vanderlei é ídolo dos torcedores de basquete em Bauru. Afinal, vestindo a camisa do Tilibra/Copimax, foi campeão brasileiro em 2002 e atuou por vários anos na seleção brasileira, tendo, portanto, muito contato com o esporte, apesar de não especificamente com o vôlei. Com a entrada do ex-pivô no time, fica mais nítida a separação entre as funções financeiras e administrativas da diretoria da função de coordenar o time em quadra, treinamentos, etc.

A notícia, entretanto, não caiu tão bem assim para os fãs de basquete. Afinal, após deixar as quadras, nos últimos oito anos, Vanderlei integrou a gestão comandada por Carlos Nunes na Confederação Brasileira de Basketball (CBB). Para quem não está habituado, os últimos anos da gestão basqueteira foram tão desastrosos que os clubes criaram uma liga própria, a confederação foi suspensa no ano passado de credenciar equipes e seleções a torneios internacionais e as categorias de base, em particular, ficaram praticamente jogadas à própria sorte.

No entanto, apesar de realmente fazer parte desta terrível gestão, Vanderlei sempre foi visto como alguém bem intencionado e de boas ideias, mas que pouco podia fazer em uma instituição engessada como a CBB. A ideia, agora, é que ele tenha mais liberdade trabalhando fora da confederação, em uma instituição que não tem problemas financeiros e que, de certa forma, ainda é recente no esporte nacional. Além disso, é o lugar com o qual ele mais se identifica em todo o Brasil, onde mora com sua família. Melhor oportunidade, para ele, impossível.

Elenco

Existe muito mais por trás do que já foi divulgado até aqui. O elenco está praticamente montado, mas os nomes ainda não vieram a público de modo oficial porque o contrato da grande maioria das atletas que disputam a Superliga se encerra no fim de maio. Assim, por questões contratuais e de ética, geralmente os clubes esperam que os antigos contratos terminem para anunciar oficialmente os reforços.

Até agora, foram renovados os contratos da levantadora Juma, as centrais Angélica e Valquíria e da ponteira Ana Carolina Westermann. Os irmãos Kwiek continuam comandando o time, Ariane foi contratada junto ao Curitibano e a dupla Mari Cassemiro e Bruna Honório já deixaram a cidade rumo ao Pinheiros. Muitas outras jogadoras, porém, por conta do bom desempenho na última temporada, receberam ofertas de vários clubes no Brasil.

Brayelin Martínez (Foto: Divulgação/FIVB)

Alguns nomes já são dados praticamente como certos na equipe para a próxima temporada, aguardando apenas a possibilidade de divulgação, como é o caso da dominicana Brayelin Martínez, atleta de 2,01m, comandada por Marcos Kwiek na seleção. Outro nome bastante ventilado em Bauru é o da oposta Helô, campeã pelo Rexona/Sesc.

Outros reforços de peso, contudo, necessitam de um aporte financeiro específico, como é o caso de Paula Pequeno e até da renovação de Brenda Castillo. A ideia da diretoria é montar uma equipe ainda mais competitiva que no último ano e, principalmente, com uma maior média de altura. Nas próximas semanas novos nomes serão divulgados, tanto nas contratações, quanto nas baixas, além de possíveis novos patrocinadores.

O planejamento continua sendo brigar de igual para igual com as equipes de maior orçamento que o Bauru. Até porque, segundo a diretoria da equipe, o aporte financeiro não vai ser prejudicado nesta temporada, mesmo com a diminuição da verba da CONCILIG. 

Calendário

O Vôlei Bauru disputará as mesmas competições que no último ano: Copa São Paulo, Campeonato Paulista, Superliga e, caso consiga a classificação, Copa Banco do Brasil. Ainda, como preparação para o Paulista, representará a cidade nos Jogos Abertos e Regionais (coisa que não ocorreu no último ano, pois os jogos foram cancelados), além de algum outro torneio ou amistosos ainda não definidos.

Algumas atletas devem se apresentar logo no início de junho para iniciar algum trabalho específico de recuperação. No entanto, a maioria chegará apenas na metade do mês. Apesar disso, o time só estará completo na reta final da primeira fase do Paulista, assim como foi na temporada 2016-17, quando terminar as competições de seleções. Nesta época, nomes como o comandante Marcos Kwiek, as dominicanas, etc., chegarão à Bauru.


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Lucas Guanaes
Jornalista e fotógrafo. Ala nas horas vagas, abomina o escanteio curto.

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