VAGÃO CULTURAL – NADA DE BANDEJA
Série da Netflix mostra temporada da equipe de ensino médio da pequena cidade de Chinle, nos EUA
Por Lucas Guanaes
No coração da nação Navajo, a maior reserva indígena dos Estados Unidos, em pleno deserto, está a pequena cidade de Chinle, Arizona. Com cerca de 5.000 habitantes, em que a maior parte deles tem o navajo como sua língua principal ao invés do inglês, é de se imaginar que a tradição esportiva não seja o forte do lugar. Contudo, há sim um xodó entre os habitantes: os Chinle Wildcasts, time de basquete de ensino médio do lugar.
A série, então, acompanha a temporada 2017/18 da equipe, composta apenas por garotos locais, em busca do primeiro título estadual da história da escola e, consequentemente, da cidade. Mesmo sem um grande sucesso diante dos times rivais, a cidade historicamente abraça a equipe e seus integrantes, que veem no basquete uma chance de receber uma bolsa em alguma faculdade para deixarem a reserva.
O objetivo final, portanto, não é nem uma carreira longínqua no basquete. Por ser uma cidade com pouquíssimos recursos e com a vida centrada para a própria nação Navajo, boa parte dos garotos simplesmente usa a chance de jogar basquete na universidade para conseguir um diploma de sua preferência e, então, retornar à Chinle para melhorar a situação da cidade e de suas famílias.
Foto: Reprodução
Mas engana-se quem pensa que, por isso, o basquete não é levado a sério. Afinal, eles são o maior atrativo esportivo da cidade. Assim, a população frequentemente lota o ginásio da Chinle High School, que, pasmem, tem capacidade para 7.500 pessoas em uma cidade de apenas 5.000 habitantes.
A estrutura, inclusive, é impressionante. A escola foi construída em 2006 por um valor de 23 milhões de dólares e, na época, era o 15° maior ginásio dentre as escolas que disputam o basquete no ensino médio. O nível é muito superior, inclusive, ao de ginásios e arenas ainda em construção no Brasil.
Am I the only one dumbfounded by the Chinle High School gym?! @ChinleFBLA #BasketballorNothing @netflix pic.twitter.com/iewQYcL3Jm
— Matt Lisle (@CoachLisle) August 4, 2019
Voltando ao basquete, a cultura Navajo influencia até na maneira como o time tradicionalmente joga, com o chamado “rezball”, uma espécie de run and gun levado ao extremo pelos alunos, mas sem defesa. A preopcupação está em pontuar mais rápido e em maior quantidade que o adversário, sem protejer muito o aro. A transição para um basquete mais defensivo também é mostrada muito bem na série, que inicia com alguns protestos reservados dos atletas, que aos poucos assimilam as ideias do novo treinador.
No final das contas, a série satisfaz o fã de qualquer tipo de esporte, uma vez que não é necessário ser um entusiasta do basquete para entender o que se passa. O basquete, na verdade, é o pano de fundo para mostrar as histórias de vida e sonhos dos jovens de Chinle, além de um pouco do cotidiano do lugar e, de maneira mais sutil, a importância da representatividade indígena nos esportes e entretenimento americanos. Além disso, por ter apenas seis episódios, é agradável e rápida de ser assistida.
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A série
Nada de bandeja (Basketball or nothing)
País: Estados Unidos
Gênero: Documentário
Ano de estreia: 2019
Produção executiva: Todd Donnelly, Joseph Witthohn e Notah Begay III
Número de episódios: 6
Duração por episódio: Cerca de 35 minutos
Trailer (em inglês)
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