VAGÃO CULTURAL – MARACANÃ
Por Fabio Toledo
Foi no dia 16 de julho de 65 anos atrás que duzentas mil pessoas, em um Maracanã lotado, e outras 52 milhões espalhadas pelo Brasil, se calaram. Uma seleção brasileira de bons jogadores, como Zizinho, Friaça, Jair Rosa Pinto e Barbosa, antes tratada como brilhante, foi jogada aos leões após a derrota sofrida, de virada, na final daquela Copa do Mundo.
Muito sobre esse momento do futebol brasileiro já foi contado. A influência do esporte bretão (cada vez mais tupiniquim) na sociedade refletia diretamente na política. Com as vitórias do Brasil, mais gente de fora do dia-a-dia da Seleção buscava pegar a onda no sucesso dos atletas em campo. Quando tudo ruiu, sobrou só pra eles, pobres jogadores. Até o branco da camisa pulou fora.
Mas não é só disso que o filme Maracanã (título original: “Maracaná: La Película”) se trata. É muito mais. Isso porque ele é retratado na visão do vencedor, o Uruguai, em um dos poucos momentos da história do esporte em que o derrotado foi muito mais comentado do que o triunfante (menos lá, no Uruguai, é claro, onde até hoje se busca um feito de tamanho valor da Celeste).
Foto: Revista Placar
Com a direção de Sebastián Bednarik e Andrés Varela, o documentário começa abordando o momento do futebol uruguaio naquela época. Depois do sucesso da década de 1920, com o bicampeonato olímpico, e o título da Copa do Mundo em 1930, no bem sucedido torneio sediado por eles, o futebol no país perdeu força e entrou em crise. Muito por conta das péssimas administrações dos cartolas, que tratavam o jogador de futebol como gado, ou como escravos, de acordo com o depoimento de Obdulio Varela.
Aliás, Obdulio foi o grande símbolo do renascimento do futebol uruguaio. Dois anos antes do mundial, liderou uma greve de jogadores no país que durou vários meses, resultando em melhores condições para os atletas. Na Copa, ele foi “El Negro Jefe” como se devia esperar. Como capitão, pegou das mãos de um surpreendido Jules Rimet a taça de campeão. À noite, saiu para beber com os derrotados e sentiu remorso do que fez na tarde daquele domingo no Maracanã, pois ele causou tristeza a pessoas de bem.
O documentário é baseado na obra literária de Atilio Garrido, intitulada “Maracaná: La história secreta”, e conta com depoimentos dos campeões, como Obdulio Varela, Roque Máspoli e Alcides Ghiggia; dos derrotados, como Zizinho, Friaça, Flávio Costa e Barbosa; além de jornalistas e pesquisadores do assunto, como o próprio Atilio Garrido, Franklin Morales, Teixeira Heiser e o escritor Eduardo Galeano.
Um outro lado da história, com imagens inéditas, é mostrado nesse ótimo filme, que vale a pena ser visto pelo fã do futebol.
Confira o trailer oficial:

MARACANÁ LA PELÍCULA
Direção: Sebastián Bednarik e Andrés Varela
Produção: Uruguai/Brasil
Duração: 75 minutos
Ano de lançamento: 2014
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- Fabio Toledo
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