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2021/03/03 1 0

VERDE-AMARELO DE VERGONHA

Por Fabio Toledo e Lucas Guanaes

Foto: Guto Brasil/Noroeste

A tão esperada estreia do Noroeste na Série A-3 de 2021 acontecerá neste domingo, às 11h, em Birigui. O adversário, Bandeirante, promete ser um grande desafio, mas existe confiança no trabalho do técnico Luiz Carlos Martins e em seu elenco. O mesmo não dá pra se dizer do comando do clube.

O tradicional “perdido” da diretoria alvirrubra pós campeonato ocorreu mais uma vez depois da A-3 de 2020. No momento mais necessário de contar com os indivíduos de fora dos gramados do clube, eles sumiram. Quando um temporal destelhou parte da arquibancada, das cabines de imprensa e a cobertura do setor das câmeras do Estádio Alfredo de Castilho, o torcedor se preocupou.

Passou novembro, dezembro e janeiro. Três meses de lamentação e de silêncio da diretoria noroestina, bem como do conselho deliberativo. O departamento de marketing, recém formado, foi o mais ativo nesse momento complicado, além, é claro, da torcida. Após tanto tempo, com espaço para uma resolução mais adequada, a atitude do clube para os estragos no estádio foi a velha gambiarra, apenas retirando a cobertura restante das arquibancadas.

A primeira “participação” de algum membro do alto comando do Noroeste em 2021 foi na infame manifestação em favor da abertura do comércio, em meio ao crescimento dos casos de COVID-19, em Bauru. Por lá, devem ter notado o verde-amarelismo e anotado como desejo para utilizar seu hobby favorito – espera-se que ao menos seja o hobby favorito –, o Noroeste, como bandeira de um certo grupo político e econômico local.

Para a estreia em Birigui e, depois, na segunda rodada, em Bauru, o Noroeste não vestirá suas cores. Poderia homenagear os profissionais da saúde, que estão há um ano na linha de frente dessa luta ingrata contra a COVID-19, vestindo branco. Ou também vestir-se de preto, para refletir sobre as mais de 420 mortes ocorridas em Bauru, vítimas fatais da pandemia. Mas não.

A escolha noroestina foi pelo verde e amarelo, “as cores da bandeira de Bauru” – que por sinal também é do arquirrival, XV de Jaú. O motivo arranjado foi “em forma de reação e defesa contra o fechamento do comércio de Bauru, contra o desemprego, as falências, exigindo a chegada de novos leitos de UTI para os hospitais estaduais do município e a abertura definitiva do Hospital das Clínicas (HC)”.

E aí, amigo, não importa o texto de assessoria e declarações de quem comanda o time. As cores e a pauta escolhida como justificativa, além do timing da divulgação, são mais que o suficiente para mostrar que mais uma vez o Noroeste tenta subestimar seu torcedor.

Tentam aliar o clube à pauta política mais uma vez, assim como na já citada passeata, com a camisa entregue para Luciano Hang e, claro, foto e divulgação nas redes sociais. Agora, no pior momento de toda a pandemia, em que a cada dia o recorde de mortos é batido, a diretoria do Noroeste mostra para onde estão direcionados seus interesses.

E não é para você, torcedor. Não é para o clube. Também não é para o comércio e empresariado bauruense, que foi tão criticado nos últimos anos por uma suposta falta de apoio ao Noroeste, quando o próprio clube não se movimentava para merecer o apoio. Não é nem o lado da cidade em si. Quantos aniversários e quantas oportunidades a equipe teve de colocar a bandeira da cidade (ou as cores) em seu uniforme? Justo agora?

Vocês sabem bem do que estamos falando. O próprio Estevan Pegoraro, ex-presidente e atual conselheiro do Noroeste, o bajulador do bajulador do Presidente da República, também sabe do que estamos falando, e já se antecipou no release: “[…] não se trata aqui de um ato partidário, nem contra ninguém, mas sim um movimento em defesa de Bauru […]”. Ele mesmo sabe, o Noroeste mesmo sabe. E não têm vergonha de esconder. No final das contas, os sumiços da diretoria nem são assim tão negativos. Afinal, quando aparecem, não o fazem pelo clube. Que fiquem, então, escondidos.

Aliar o Noroeste a tais pautas alia o clube às mais de 250 mil mortes que já ocorreram no país. Alia o Noroeste, por exemplo, à perda de Ruy Scarpino, que já comandou o clube no início do século e morreu por conta da COVID-19. Alia o Noroeste à morte de Marcelo Veiga, lendário treinador de inúmeros clubes no interior paulista. Alia o Noroeste a quem menos fez e mais atrapalhou a trajetória do Brasil no combate ao coronavírus.

O Noroeste mais uma vez escolheu um lado, torcedor. E não é o seu.

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Sobre o autor

    Fabio Toledo
    Jornalista, apaixonado por esportes, por escrever e por rádio. Produz conteúdo na LE e comenta nas transmissões do Jornada Esportiva.

    One Comment

    • Silvio Zinatto

      05. mar, 2021

      Belas reflexões, Fabio
      Noroeste nao pode se prestar a esse desserviço sem limites.

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