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2020/10/12 0 0

MARCANTE

Antes do mata-mata, é preciso ressaltar a primeira fase do Noroeste na A-3

Por Fabio Toledo

A fase classificatória da Série A-3 do Campeonato Paulista teve seu encerramento no último sábado. A partir de agora, o foco é todo no mata-mata. Para o Noroeste, os olhos estão voltados ao Nacional, na disputa das quartas de final, em busca da semi e, claro, do acesso. Mas antes de virarmos a página, é preciso reconhecer o que foi feito pelo Alvirrubro nas 15 partidas realizadas. Para isso, voltemos ao início de 2020.

Foto: Bruno Freitas/Noroeste

Montagem do elenco

É claro que a trajetória noroestina não começou em 25 de janeiro, quando o time entrou em campo pela primeira rodada, contra o EC São Bernardo. Há quase um ano, no final de outubro, o técnico Luiz Carlos Martins era apresentado, dando início ao planejamento para a disputa da Série A-3. E a ideia para a equipe foi, em primeiro momento, garantir a permanência de jogadores que disputaram a Copa Paulista.

Matheus Blade, Jean Pierre, Renan, Igor Pimenta, John Egito, Diego Souza, Yamada, Everton e Pedro Felipe faziam parte dos titulares da competição de segundo semestre do calendário estadual. Viu-se na sequência deles dentro do clube a possibilidade de começar o projeto 2020 com um grupo em maior sintonia. A partir deles, outros atletas chegaram e garantiram bastante experiência e potencial de crescimento.

Começando na defesa, com o goleiro Pablo, formado no São Paulo, de algumas passagens em clubes da elite estadual, mas que passou o último ano escondido na terceira divisão paranaense. Já o zagueiro Guilherme Teixeira tinha disputas de Série A-1 no Paulista, Séries B e D nacionais, muita experiência aos 28 anos. Carlinhos, lateral-direito, vinha com passagens pela A-2 e Série D no currículo, além de compor o Desportivo Brasil, que quase subiu em 2019.

Foto: Bruno Freitas/Noroeste

No meio-campo, os retornos foram fundamentais. O principal deles, na primeira fase, foi do volante Jonatas Paulista. Depois de dois anos disputando Série A-2 pela Portuguesa, ele voltou ao Norusca pra ser o grande protetor da zaga. Rogério Maranhão ficou um ano no Nacional, regressando ao Alvirrubro. Primeiro, como reserva. Depois, com a lesão de Carlinhos, ocupando a posição de Matheus Blade, ao lado de Jonatas. Destaque de 2018, Leandro Oliveira também voltou, mas sua passagem foi esquecível.

Apesar de Jonatas e Maranhão terem sido, de fato, os retornos mais proveitosos do Noroeste na fase classificatória, outros dois foram mais badalados. França, revelação do clube, retornou depois de oito anos de uma meteórica carreira. Uma lesão na pré-temporada o deixou de fora de boa parte dos jogos. Quando estava apto pra jogar, o mundo parou. Situação parecida com a de Richarlyson. O veterano, que já havia jogado pelo Norusca na A-3 de 2019, venceu até reality show antes de assumir a titularidade no Alvirrubro.

Em meio a voltas e permanências, uma chegada causou bastante impacto: o atacante Fabrício Daniel. Com passagem pelo Ferroviária e aspirantes do Santos, o jogador de então 22 anos procurava um lugar pra voltar a acreditar em seu futebol. Foi no Alfredão que ele se encontrou. Em 11 jogos, fez 6 gols, assumindo a artilharia isolada da Série A-3 e abrindo portas para outros desafios.

Foto: Bruno Freitas/Noroeste

Início arrasador

Cinco vitórias nos cinco primeiros jogos. Logo no começo da competição, o Noroeste se destacava e assumia a liderança isolada. Mas o subtítulo dessa parte vai além da invencibilidade alvirrubra. Isso porque não era apenas o início do campeonato a ser arrasador, mas o início de cada partida. Na sequência de cinco vitórias em cinco rodadas, o Norusca abriu o placar logo cedo em quatro delas. Contra EC São Bernardo, Marília, Rio Preto e Batatais, os gols saíram com 10 minutos ou menos. Diante do Paulista, a bola entrou aos 35′.

Durante toda a fase classificatória da Série A-3, o time do técnico Luiz Carlos Martins se notabilizou pela dificuldade de ser superado quando saiu na frente no placar. Os dois únicos times que conseguiram alguma coisa depois de começar perdendo para o Noroeste foram Capivariano (arrancou o empate por 1 a 1, em Bauru) e Comercial (conseguiu virar pra 3 x 2, também no Alfredão). Um dos principais motivos vem à seguir.

Foto: Bruno Freitas/Noroeste

Defesa

Bear Bryant, um antigo treinador de futebol americano, soltou a frase original, que depois viria a ser adaptada. Como disse ele, “ataque vende ingressos, mas defesa ganha campeonatos”. E essa retaguarda noroestina mostrou ao longo da Série A-3 sua capacidade de vencer campeonatos. Logo no começo, ficou 492 minutos sem sofrer gol – cinco jogos (contando acréscimos) e mais 13 minutos. Ali, a cozinha era formada por Pablo; Carlinhos, Jean Pierre, Guilherme Teixeira e Renan, com Jonatas e Matheus Blade como volantes.

A dificuldade adversária em superar Jonatas e Blade dificultava muito o trabalho de criação. A saída, então, era buscar as pontas, muitas vezes a fim de um cruzamento na área. O problema era superar a dupla Jean Pierre e Guilherme Teixeira, que dominou as proximidades do gol noroestino, pelo chão e pelo ar. Sem contar as vezes em que foram pro ataque e balançaram a rede contrária. Coisa que Guilherme Teixeira se especializou, com cinco gols e vice-artilharia do Noroeste na competição.

Depois da contusão de Carlinhos, Luiz Carlos Martins precisou fazer um rearranjo no time. Pra isso, contou com a polivalência de Matheus Blade, zagueiro de origem, que nunca jogou na posição este ano. Foi pra lateral-direita, permitindo a entrada de Maranhão. O novo volante não foi unanimidade, mas era a alternativa, pois Richarlyson e França não estavam preparados fisicamente. Além do mais, ele não comprometeu no bom momento noroestino, permitindo a sequência positiva.

Foto: Bruno Freitas/Noroeste

Linha de frente

Se a parte de trás esbanjou segurança na maior parte da competição, o mesmo se pode dizer do ataque. A dupla ofensiva formada Fabrício e Pedro aliava qualidade técnica, com velocidade e capacidade finalizadora. Eram poucas as equipes que tinham dois atacantes em bons momentos, acompanhados de dois meio-campistas participativos. Yamada, destaque na Copa Paulista, garantia o bom ritmo na transição da defesa pro ataque, bem como teve uma chegada de qualidade à frente do gol adversário.

Já Igor Pimenta não teve um começo positivo. Pelo lado esquerdo, ele destoava um pouco do ritmo da equipe, mas aos poucos conseguiu se soltar. Trabalhando com Fabrício, tornou-se elemento de grande valia para o ataque, chegando ao seu ápice diante do Capivariano, quando marcou um belo gol, na tabela com o então camisa 9 noroestino. Com isso, Pimenta fez o torcedor ter mais paciência para a entrada de Richarlyson na equipe.

Foto: Bruno Freitas/Noroeste

Torcida

O Noroeste começou a disputa da Série A-3 com grande esperança do torcedor. Isso estava claro antes mesmo da estreia, mas foi mostrado ao longo de toda a primeira parte da competição. A presença da torcida no estádio Alfredo de Castilho foi marcante. Embora a pandemia do novo coronavírus tenha limitado a quantidade de jogos com portões abertos, até o momento em que se podia entrar no estádio, o Norusca tinha uma média de público excelente.

A nível de divisões de acesso, nenhum outro clube levou tanta gente ao estádio quanto o Norusca. Nem mesmo a Portuguesa, o São Bento, o XV de Piracicaba ou o São Caetano, na Série A-2. Catapultado pelos 5.847 pagantes do clássico contra o Marília, mas mantendo um bom número de torcedores a partir do grande momento vivido, o Noroeste figurou entre os melhores públicos do estado, até mesmo levando a Série A-1 em conta. Confira a tabela abaixo:

Recomeço

Excelente campanha, classificação antecipada para a próxima fase, torcedor confiante no acesso. Tudo ia bem para o Noroeste. Mas a pandemia deixou tudo e espera. Foram seis meses nos quais o clube anunciou o encerramento das atividades, esperou o cancelamento do restante da Série A-3, precisou liberar todos os funcionários para não fechar as portas definitivamente. Viveu toda a indefinição apresentada pela Federação Paulista, até o retorno do futebol ser enfim confirmado.

Correndo contra o tempo, o Norusca ainda conseguiu manter quase todo seu elenco para o restante da competição. Contudo, no jogo da retomada, contra o Comercial, tinha baixas importantes. Pedro, John Egito e Yamada estavam lesionados, enquanto Fabrício não estava mais no clube. Além disso, não teria a torcida mais presente das divisões de acesso – ao menos no estádio, uma vez que os ingressos simbólicos e demais iniciativas mantiveram o torcedor próximo do clube.

Assim, a reta final da fase classificatória da A-3 foi um momento de recomeço. Tal qual na montagem do elenco para a temporada, um recomeço com bastante coisa já trabalhada, o que facilitou o processo, principalmente pra garantir a segurança defensiva. O principal problema acabou sendo o poder finalizador do ataque, que cria bastante, mas perde muitos gols. Sem Fabrício, a contratação de Fidel Rocha até agradou, mas já se notou que não se trata de um goleador.

Foto: Bruno Freitas/Noroeste

Agora, esquece!

Depois de 15 rodadas, a arrastada fase de classificação da Série A-3 teve seu fim, com um desempenho histórico do Noroeste. O campeonato tem sido disputado no formato atual (turno único + mata-mata) desde 2012. A campanha noroestina foi a melhor desse tempo, empatada com a do Velo Clube, no ano passado – coincidência ou não, foram as duas temporadas com menos clubes participantes. Portanto, o Alvirrubro merece todo o reconhecimento, embora o modelo de disputa não seja feito pra isso.

Agora, o que o Noroeste precisa fazer é apagar todas essas conquistas. No próximo sábado, inicia-se o mata-mata, que nada mais é do que outra competição. Da fase de classificação, as equipes só trazem a vantagem, quase nula, de decidir ou não eu sua casa. Para o líder, será fundamental ter os pés no chão e saber que será necessário jogar o seu melhor sempre. Um desafio que poucas equipes a terminarem na ponta da primeira fase conseguiram superar, conforme é possível ver abaixo:

Portanto, ao Norusca, ficará na memória a grande campanha de 2020, mas todos sabemos que apenas se manter a qualidade nos jogos decisivos do mata-mata que esse time será lembrado eternamente em Alfredo de Castilho. Dois objetivos foram conquistados. Ainda falta o maior de todos: o acesso. 


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    Fabio Toledo
    Jornalista, apaixonado por esportes, por escrever e por rádio. Produz conteúdo na LE e comenta nas transmissões do Jornada Esportiva.

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