MELHORES DO NBB 10
Anúncio dos destaques da temporada da liga nacional acontece nesta quarta-feira. Analisamos os candidatos e apresentamos nossas escolhas
De forma inédita, o Paulistano/Corpore fez história com o título do NBB 10. Um time que encheu os olhos dos basqueteiros, de um grande trabalho coletivo, defesa forte e contragolpe mortal. Sem dúvida, o Clube do Jardim América antecipou o futuro com seus jovens atletas e garantiu o primeiro título nacional. O troféu que apresenta o sucesso máximo da coletividade na competição já foi entregue, mas os destaques individuais ainda serão anunciados.
A cerimônia que marca o fim da temporada 2017-18 do NBB acontece na próxima quarta-feira (13), com a Festa dos Melhores do Ano, que premiará os melhores atletas de cada posição, o melhor treinador, o melhor jogador vindo do banco, melhor gringo, jogador que mais evoluiu e, por fim, o MVP da temporada.
Os indicados foram apresentados durante as Finais do NBB 10. Abaixo, você confere uma análise de como foi a temporada de cada indicado e nossa escolha em cada categoria.
Armadores

Especialistas nesta posição apontam que 25 anos é a idade média para que um armador comece a atuar de uma maneira mais decisiva, com seus atributos técnicos bem desenvolvidos. No caso desses três indicados, essa etapa já passou e isso está comprovado em seus desempenhos. Gegê, aos 28, transformou-se no Minas em um dos melhores “playmakers” da liga. Vindo do quinto título consecutivo do NBB, o primeiro do Bauru, o atleta buscou maior espaço para jogar em Belo Horizonte e jogou muito, mesmo. Os 7.4 pontos de média é seu recorde na carreira, já as 7 assistências por jogo não é apenas sua melhor marca, como também a maior média da liga na temporada.
O segundo maior garçom da temporada é justamente Elinho, de 29 anos, com 6.3 assistências em média. Pena que o NBB não premia A Redenção da Temporada, pois se premiasse ele seria indicado com grande possibilidade de vencer. Controlando os ataques do Paulistano com uma cadência que lembra os armadores clássicos e ao mesmo tempo dando espaço para o jogo objetivo apresentado pelo CAP de Gustavo de Conti em seu repertório, o camisa 5 voltou a ser destaque. Após uma temporada de lesão e outra sendo preterido na equipe do Mogi das Cruzes/Helbor, ele teve seu espaço no Paulistano e foi de grande importância para o sucesso, culminando no título do NBB em sua segunda passagem pelo clube.
Entre os três, Larry Taylor é o nome que figura há mais tempo na lista dos melhores armadores do País. O gringo de Chicago, naturalizado brasileiro, bauruense e, desde 2015, mogiano, chegou aos 37 anos e mostra que ainda tem lenha pra queimar. Talvez não seja tão explosivo fisicamente como quando chegou ao Brasil há 10 anos, mas juntou ao seu repertório uma cadência de jogo importante para controlar partidas complicadas. Além disso, seu desempenho defensivo e bom posicionamento segue como características que tornam LT4 um atleta diferenciado.
Escolha da LE – Elinho
Os desempenhos de Gegê e Elinho tiveram muitas semelhanças nos números e na forma das equipes jogarem. Nossa eleição interna favoreceu o desempenho coletivo para qual o armador do Paulistano contribuiu bastante, culminando no título do NBB. Além disso, a volta por cima em sua carreira com essa temporada pelo CAP chama bastante atenção.
Alas
Mais uma temporada com grandes destaques nas posições 2 e 3. Nesta edição, a divisão dos indicados foi feita com três representantes de cada posição. Ainda assim, existem diferenças entre cada um deles. Dos representantes da 2, Cauê Borges se destacou por ser o maior pontuador, responsável direto por 1/5 dos pontos do Caxias do Sul – grande nome da equipe na temporada –, com a terceira maior média da liga (16.1).
Por sua vez, Alex Garcia (o mais experiente entre os indicados da posição) brilhou pelo Sendi/Bauru Basket mais uma vez por ser o faz tudo da equipe. Segundo maior pontuador (14.0), líder em assistências (5.6), principal ladrão de bolas (1.3) em uma defesa na qual foi o grande líder até a contusão nos Playoffs. Assim como o Brabo intensidade defensiva é grande diferencial de Jimmy (com direito a 11 tocos na temporada), mas nesta temporada o ala mogiano participou mais das ações ofensivas e realizou um excelente trabalho como um bom coadjuvante do ataque vice-campeão do NBB.
Já entre os representantes da posição 3 temos três que também disputaram o voto na edição passada. Apesar de seus números não terem sido melhores do que em temporadas anteriores (15.5 pts, 4.1 rebotes e 3.4 assistências, contra 20.4 pts/4.7 reb/3.6 ast do NBB 9), Shamell foi importante para conduzir o Mogi das Cruzes/Helbor ao inédito vice-campeonato da competição nacional. O mesmo pode se dizer de Marquinhos, embora os 17.89 pontos de média (abaixo dos seus 18.7 de 2016-17) o tenha levado ao posto de principal pontuador da temporada. O primeiro lugar na fase classificatória aconteceu muito por conta do trabalho de Marquinhos.
O último nome da lista é Lucas Dias, talvez aquele que fizesse um papel um pouco mais diferente dos demais, atuando muitas vezes como ala-pivô (mas é ala de origem). No time campeão do NBB, o Paulistano/Corpore, o camisa 9 não foi o maior pontuador, nem o maior reboteiro ou maior garçom, mas foi um dos destaques defensivos – líder em roubadas de bola e tocos da equipe. Lucas Dias aparece entre os indicados também por ser importante em momentos decisivos. No jogo 4 da final, por exemplo, fez 20 pontos. No jogo 5 da semifinal contra Bauru, foi cestinha com 21. Acabou decisivo também na série contra o Basquete Cearense.
Escolhas da LE – Cauê e Marquinhos
Apesar das excelentes opções, seria um pecado fugir desses dois nomes. Isso porque o desempenho de Cauê foi imprescindível para o Caxias do Sul, surpresa deste NBB, como cestinha e principal garçom. Já Marquinhos liderou o Flamengo para a melhor campanha da primeira fase, terminando o campeonato como maior força ofensiva da temporada.
Pivôs

Seis nomes, cinco unanimidades entre os indicados para os prêmios de melhores pivôs. Do vice-campeão, Mogi das Cruzes/Helbor, Tyrone Curnell manteve seus grandes números que possui na carreira, destacando-se entre os homens grandes na assistência, com 3.1 bolas servidas por partida. Sua regularidade durante a temporada foi um dos fatores que ajudaram o time do Alto Tietê a alcançar a final inédita. Já do time campeão, o representante é David Nesbitt, o grande cadeado do garrafão do CAP, importante no trabalho defensivo, com algumas boas jogadas no ataque, sendo o segundo atleta mais eficiente da equipe, atrás apenas de Lucas Dias.
Do Flamengo, são dois indicados. O desempenho de JP Batista foi gigantesco no primeiro turno da fase classificatória – 15.6 pts, 7.4 reb e 3.2 assist. No ritmo em que estava, brigaria para o título de MVP da temporada. Porém, a chegada de Anderson Varejão tirou minutos de seu jogo. Ainda fez boas apresentações no decorrer do NBB, mas sofreu com menor tempo na rotação rubro-negra (foi de 28 minutos em média para 21).
De fato, Anderson Varejão, só pelo nome, pode ganhar a titularidade de uma equipe. Seus desempenhos, principalmente na reta final da primeira fase e no decorrer dos Playoffs, culminando em sua melhor partida na temporada (25 pts e 8 rebotes) na eliminação para Mogi, fizeram valer sua qualidade. No entanto, sua escolha entre os indicados foi exagerada, tendo em conta o desempenho de outros pivôs menos badalados, como Alexandre Paranhos, do Caxias do Sul, e Guilherme Teichmann, do Minas, brilhantes nas campanhas de suas equipes durante todo o NBB.
Outro jogador não muito badalado, mas que foi incluído nesta lista, é Léozão. Aos 29 anos, o jogador que fez sua terceira temporada em ascensão pelo Basquete Cearense obteve uma regularidade incrível (média de 8.4 pts e 8.7 rebotes), com desempenhos impressionantes. Entre eles, está o de 32 pontos e 16 rebotes contra Joinville em 22/12; o de 29 pts e 13 rebotes contra LSB em 23/01; além do histórico 14 pts e 24 rebotes diante do Campo Mourão em 17/02 – maior número de rebotes de uma partida de NBB. Além disso, liderou a liga e números de duplos-duplos: foram 8 na temporada.
O último nome não é o menos importante. Afinal, nenhum pivô pontuou mais do que Rafael Hettsheimeir. E olha que esta não foi a melhor temporada do Canela pelo Bauru Basket, mas seu desempenho foi tão importante quanto os outros anos. Nos Playoffs, com a ausência de Alex e outros desfalques, o rendimento do camisa 30 do Dragão precisou ser enorme, e ele devolveu seu melhor, fazendo 20 pontos ou mais em 6 das 12 partidas da pós-temporada, obtendo quatro jogos com duplos-duplos neste período.
Escolhas da LE – Tyrone e Hettsheimeir
Ainda que JP e Léozão tenham ido muito bem na fase classificatória e Nesbitt o grande nome do garrafão campeão, estamos falando de dois jogadores que disputam o prêmio de MVP da temporada. O grande índice de eficiência e regularidade durante o NBB apontam para a escolha de Tyrone, enquanto que o ótimo desempenho nos Playoffs deixam no final da temporada um fator decisivo para Hetts figurar entre os melhores.
Técnicos

Uma lista justa, que apresenta os dois comandantes dos times finalistas e aquele que tirou o máximo de sua equipe nos Playoffs. Rodrigo Barbosa, pelo desempenho do surpreendente Caxias do Sul, e Espiga, do Minas, por ter sido sua primeira experiência como treinador de um time adulto, levando seu time às quartas do NBB, também merecem a lembrança.
A quarta posição na fase classificatória pode não ter sido suficiente para o Mogi das Cruzes/Helbor, mas o desempenho nos Playoffs compensou o trabalho de Guerrinha e sua comissão técnica, que bancou o elenco eliminado nas quartas de final do NBB9. A defesa – uma das melhores, senão a melhor da competição como um todo – limitou o surpreendente Caxias do Sul aos 70 pontos, no máximo, em quatro jogos. Depois, segurou o arsenal ofensivo do Flamengo, de grandes chutadores e homens do garrafão.
O Mogi de Jorge Guerra só não conseguiu parar o Paulistano/Corpore em mais de um jogo na final. O único time que obteve tal feito foi o Sendi/Bauru Basket. Aliás, foi apenas um de muitos feitos realizados pelos comandados de Demétrius Ferracciú nos Playoffs. A equipe deixou a desejar na fase regular da competição, mas na pós-temporada foi além do que se imaginava – muito por conta de seu treinador. Com rotação limitada por causa de lesões de atletas importantes, Dema montou um time coeso, atento na defesa e com bom aproveitamento no ataque, chegando a varrer o Sesi Franca nas quartas-de-final. Ficou a uma bola de superar o Paulistano no jogo 5 das semis, mas teve que se contentar com o heroico terceiro lugar.
Já Gustavo De Conti pode-se dizer que teve a pré-temporada antes do NBB10 mais calma dos últimos anos. Depois do vice-campeonato na edição anterior, viu uma base de seu elenco ser mantida, fato raro no Paulistano que, com isso, antecipou o futuro (o slogan do clube nunca foi tão apropriado) e levou o título estadual e nacional. Com parte do grupo conhecedor de seu estilo de jogo, trouxe aqueles que poderiam encaixar melhor em seu trabalho e resultou em um timaço, justamente pelo seu jogo coletivo.
Escolha da LE – Gustavo De Conti
Por mais que Guerrinha tenha feito história com a classificação do Mogi para as Finais e Demétrius tenha levado um Bauru combalido pelos desfalques até além do esperado, Gustavinho apresentou um time insinuante, fazendo valer o projeto de já alguns anos do Paulistano, sendo premiado com o título inédito do NBB.
Melhor sexto homem

Como em poucas vezes pode ser visto no NBB, a edição da liga contou com inúmeros atletas vindos do banco que contribuíram e muito para o desempenho de suas equipes. Paulinho Boracini (Cearense), Duda Machado (Bauru), Gabriel (Botafogo), Gruber (Franca), Billy Rush (Minas), Fabricio (Mogi), Yago (Paulistano), Lupa (Pinheiros), Renato (Vasco), Kurtz (Vitória)… Todas as equipes tiveram pelo menos um cara que veio do banco e se destacou. Mas como apenas três nomes podem ser indicados, cá estão eles:
Começando pelo estrangeiro do trio, Cafferata precisou se adaptar a essa função de segundo armador depois de uma boa passagem pela Liga Sorocabana. Alternando a função com Cauê Verzola, apresentou uma regularidade que precisa estar presente nas características de um sexto homem. Além da cadência ao jogo dada pelo argentino, seu aproveitamento de 40.3% nas bolas de três é um dos melhores da liga.
Arremessos do perímetro sempre foram uma característica de Marcelinho Machado durante toda sua carreira. O recém aposentado ala de 43 anos, mesmo vindo do banco, apresentou-se muito bem em grandes momentos da temporada – destaque para os 22 pontos contra o Vasco no primeiro turno e para os 20 contra o Franca. Não rendeu o tanto esperado nos Playoffs, mas fez uma última temporada sem tantos defeitos.
O terceiro candidato representa o campeão. Não apenas isso, pois Deryk foi destaque do Paulistano em muitas partidas. No time aberto a chutar do técnico Gustavinho, quem mais arremessava era ele, com mais de 10 bolas tentadas por jogo, sete em média da linha de três. Até por isso, foi quem mais encaçapou bolas do perímetro neste NBB, de desempenho melhor que o seu anterior, pelo Brasília, mesmo atuando sete minutos a menos por jogo.
Escolha da LE – Deryk
Marcelinho e Cafferata foram bons atletas vindos do banco, mas só Deryk teve um desempenho de titular participando da rotação. Cestinha do Paulistano e segundo em assistências, o ala de 24 anos vence disparado essa categoria.
Melhor defensor

Começamos com uma informação importante: pela primeira vez em 10 edições de NBB, Alex Garcia não está nem mesmo entre os três indicados. Mas olha que o Brabo caberia neste grupo hein. Não só ele, como Stocks (Joinville), Jonathan (Paulistano), David Nesbitt (Paulistano) e mais alguns outros podem se sentir injustiçados, por conta da entrada de um candidato que sua indicação pareceu exagerada.
Afinal, Arthur Pecos até que fez um trabalho de qualidade na marcação, foi o grande ladrão de bolas do Flamengo ao lado de Marquinhos, com média de 0.9 por jogo, e seu +/- só não foi maior do que o quinteto principal. Porém, em comparação mais ampla (além do Flamengo), foi uma temporada comum do armador. Diferentemente do gringo Stocks, que pulverizou a média de roubadas de bola em uma temporada do NBB, obtendo 3.59 por partida.
Já o desempenho do atual detentor do prêmio foi mais uma vez de grande valia para o Mogi das Cruzes. Jimmy novamente comandou a defesa vice-campeã nacional com sua marcação incisiva e demais características que fizeram valer uma vaga na seleção brasileira. Ainda que tenha aprimorado seu jogo ofensivo, é na contenção do adversário que o camisa 18 mogiano se destaca.
O único nome do garrafão entre os indicados merece o prêmio há algum tempo, mas ainda segue na luta. Aos 34 anos, Guilherme Teichmann é o jogador que mais tocos deu na história do NBB (287) e, passadas 10 edições, segue com apetite para jantar mais adversários no garrafão. Isso porque, nesta edição do nacional, ele teve 1.2 tocos de média – sua maior marca desde o NBB 1, quando teve média de duas rejeições por jogo –, mais do que o suficiente para liderar o quesito. Além disso, esteve entre os 10 maiores ladrões de bola, com 1.6 de média.
Escolha da LE – Teichmann
A escolha por Teichmann é tanto pelo que fez neste NBB 10, como por seu histórico na competição. O diferencial do pivô do Minas para os demais é o fato dessa ter sido sua melhor temporada dos últimos nove anos. Isso significa bastante, pois trata-se do maior paredão dos 10 anos de história da liga, que não deu espaço para os adversários que entraram no garrafão.
Destaque jovem
Talvez, a melhor parte desse desenvolvimento do basquete nacional encabeçado pela LNB seja a revelação de novos atletas, e o prêmio de Destaque Jovem está aí pra mostrar os garotos de grande potencial que dão seus primeiros passos na quadra, acumulando experiência e já chamando atenção. No histórico da premiação, temos nomes que brilham na atualidade por aqui, como Deryk, Gui Deodato, Lucas Dias, Alexey e Coelho. Outros, que já brilharam e foram para fora do País, como Ricardo Fischer, Benite e Raulzinho – o primeiro vencedor, hoje na NBA.
No ano passado, a inclusão de Yago entre os indicados soou como exagerada para alguns, muito por conta de o jovem armador ter aparecido apenas na reta final da temporada. Porém, neste NBB, o garoto de 19 anos fez exibições assombrosas durante toda a competição, como os 31 pontos diante de Bauru no segundo turno. Para um jogador que vem do banco na rotação, o desempenho de Yago foi muito bom, apresentando desenvolvimento em seu jogo na segunda temporada entre os adultos.
Dos indicados, aquele que possui mais rodagem é Gabriel Jaú. Com os mesmo 19 anos, o ala do Bauru já acompanhava a equipe há duas temporadas, embora tenha entrado pouco. No NBB 9, aproveitou as oportunidades e foi importante na rotação do time campeão. Seu desempenho o credenciou a ser titular na temporada seguinte e, mais uma vez, o garoto não deixou a desejar, realizando bons jogos, inclusive nos Playoffs, além de atuar nas 40 partidas que o Dragão fez na competição.
Aos 21 anos, Gui Bento é o mais velho entre os indicados, mas foi quem recebeu mais tardiamente uma oportunidade. Vindo da base do Bauru Basket, o ala não encontrou espaço no Dragão na temporada 2016-17 e precisou ir para outro time em busca de desenvolver seu jogo. Neste NBB, defendeu o Pinheiros e foi parte da rotação do clube da capital paulista, mas com ainda com poucos minutos em quadra. Por isso a escolha de Gui Bento pode ser considerada exagerada – até porque Felipe Ruivo, 20, do próprio Pinheiros, teve melhores atuações. Pesou para o camisa 7 a conquista do Desafio de Enterradas do Jogo das Estrelas, onde superou, entre outros concorrentes, o próprio Jaú, e as convocações para a seleção brasileira.
Escolha da LE – Gabriel Jaú
O diferencial para o ala-pivô do Bauru é a titularidade e sua importância no bom funcionamento do time. Ainda que Yago tenha chamado atenção por boas atuações, Jaú assume uma responsabilidade ainda maior em sua equipe e ainda assim apresenta bons desempenhos.
Melhor estrangeiro

Por mais que os jogadores brasileiros tenham ido muito bem neste NBB, ocupando 22 dos 27 postos de indicados aos Melhores da Temporada, muitos gringos tiveram destaque na décima edição do torneio nacional. David Jackson (Vasco), Deonta Stocks (Joinville), Jamaal Smith (Botafogo), Anton Cook (LSB), Kendall Anthony (Bauru), Corderro Bennett (Pinheiros), Greg Brown (Campo Mourão), Evan Roquemore (Minas), Kenny Dawkins (Vitória) e mais alguns outros fizeram grandes atuações durante o ano. Só que apenas três estrangeiros podem ser indicados e não tem como ficar fora desses nomes.
O primeiro que apresentamos foi mais uma vez o líder técnico do Pinheiros. Melhor gringo e MVP da última edição, Desmond Holloway não manteve os 19.3 pontos de média da temporada anterior (obteve 16.2), mas ainda assim foi o segundo maior cestinha do campeonato, atrás apenas de Marquinhos. Seu trabalho defensivo também manteve em bom nível e nada mais justo que o camisa 22 defenda seu posto, embora a eliminação do Pinheiros logo nas oitavas de final venha a pesar.
Isso porque Holloway disputa o prêmio com dois vice-campeões. Shamell foi o vencedor no NBB 8 e quer recuperar a coroa. Na manga, tem a 4ª maior média de pontos da temporada (15.46) – por outro lado, foi sua pior marca na história da liga –, além de grandes exibições, como o recorde de pontuação desta edição: 40 pontos no jogo em que Mogi eliminou o Flamengo. Aos 37 anos, Showmell segue como um dos gringos de destaque no basquete brasileiro.
Por fim, temos outro mogiano: Tyrone Curnell. Empatado com Olivinha, ficou em segundo entre os jogadores com mais duplos-duplos no NBB 10 (com 7), também aumentando sua participação no desempenho global da equipe – na defesa e no ataque. Nos números, Ty apresentou um desempenho parecido com os das temporadas anteriores, mas no acompanhamento de seus jogos, deu pra ver algo a mais desse ala-pivô nova-iorquino.
Escolha da LE – Tyrone
O trabalho defensivo além da participação no ataque garantem um diferencial para o camisa 0, o suficiente para desbancar as máquinas de pontos Holloway e Shamell.
Jogador que mais evoluiu

Essa categoria é importante para premiar o esforço daqueles jogadores que apresentaram um aumento significativo de suas capacidades na temporada. E diferentemente das demais categorias, aqui a comparação não é apenas entre os indicados, mas também uma analogia do indicado por ele mesmo, tendo em vista as temporadas anteriores. Isso pode se ver nos três candidatos.
Participando das 10 edições do NBB, Cauê Borges iniciou com jovem promessa de Franca, teve boa passagem por Minas, voltou pra sua cidade natal, mas não rendeu. Fez ainda uma temporada pela Liga Sorocabana, sempre como coadjuvante. Foi apenas aos 26 anos que o ala-armador desabrochou, com uma campanha espetacular pelo Caxias do Sul. Terceiro maior pontuador do NBB 10 (16.09 de média), liderou tecnicamente o time gaúcho composto por jogadores veteranos, alguns relegados das principais equipes mais outros jovens até as quartas de final.
Quem também chegou nas quartas foi o pivô Wesley com o Minas. Revelado pelo Pinheiros, disputou a Liga Ouro em 2016 pelo Sport de Recife, recebendo em seguida uma oportunidade no clube mineiro. Apresentou alguma qualidade (principalmente defensiva) como reserva da equipe e foi escolhido pelo técnico Espiga para ser titular no NBB 10. Dividindo o garrafão com os veteranos Teichmann e Mosso na coletividade do jogo do Minas, o camisa 21 mais que duplicou sua média de pontos (de 5.1 para 13.4), sendo o principal cestinha do time e o segundo melhor pivô da liga neste quesito.
É possível ver semelhanças entre as trajetórias de Wesley e Gabriel Jaú nestes dois últimos NBBs. O ala bauruense aproveitou a oportunidade que teve na temporada anterior, mostrando fibra nos Playoffs que terminou com o título, assegurando mais tempo de jogo em 2017-18. Assim, apresentou desenvolvimento, embora este já fosse esperado depois de seu desempenho na reta final do NBB 9. Como titular do Dragão, evoluiu seu desempenho defensivo e já atrai observadores da Europa e da NBA.
Escolha da LE – Cauê Borges
Tanto Wesley como Jaú ainda têm alguns anos para mostrarem desenvolvimento ainda maior. No caso de Cauê, muitos anos haviam se passado e a alcunha de eterna promessa já colava. Pelo menos neste NBB ele deu um passo adiante na evolução de sua carreira.
MVP

Se definir os vencedores das categorias anteriores já é difícil, eleger o melhor jogador do NBB 10 exige um processo de apuração ainda maior. Afinal, o melhor da temporada tem que apresentar bons aspectos ofensivos e defensivos, mas precisa ser excepcional em pelo menos um deles, além de fazer a diferença para sua equipe, principalmente pela regularidade que deve apresentar durante a competição.
Destaque do Flamengo, melhor time da fase classificatória, Marquinhos vem em busca do terceiro prêmio de MVP na história da liga – ultrapassaria Marcelinho Machado com mais troféus de melhor da temporada. E o desempenho do camisa 11 rubro-negro foi gigantesco, com 20 jogos fazendo 15 ou mais pontos, chegando aos Playoffs para obter mais quatro (de sete) partidas com o mesmo feito. Assim, terminou como o cestinha da competição (17.89 de média) e o atleta de maior índice de eficiência entre aqueles que fizeram mais de 30 jogos (17.20).
Já no Sendi/Bauru Basket, Hettsheimeir atuou muito bem durante a primeira etapa do NBB, ao lado de Alex. Foram 14 partidas com 15 pontos e 5 rebotes ou mais, sendo mais regular que o próprio Brabo. Nos Playoffs, com a lesão do camisa 10, coube a Hetts fazer ainda mais. Apresentando um espírito mais motivador dentro de quadra além da técnica e força física que possui, foi o grande nome do Dragão. Dos três jogos da varrida contra Franca, fez duplo-duplo nos dois realizados no Pedrocão. Contra o Paulistano, apesar da derrota, obteve 17.6 pts e 10.6 rebotes de média na série.
O terceiro candidato não tinha o papel de ser o maior pontuador do Mogi das Cruzes/Helbor. Em um time que tem Shamell, é preciso se destacar em outros lugares. Tyrone fez isso ao ser o dono do garrafão mogiano. Com 7 duplos-duplos na temporada, ficou atrás apenas de Léozão neste quesito, enquanto que foi o segundo pivô com mais roubadas de bola (45, contra 57 de Teichmann) e quarto maior reboteiro (6.85). Na final, contra o CAP, foi o atleta do Mogi que apresentou maior resistência, com médias de 16.7 pontos e 5 rebotes por partida.
Escolha da LE – Marquinhos
Por mais que o desempenho do Flamengo tenha sido abaixo do esperado ao não chegar às Finais do NBB, o desempenho de Marquinhos foi muito bom. Dono do terceiro maior índice de eficiência, do melhor +/- da liga e o grande cestinha da temporada, o camisa 11 rubro-negro teve apenas três partidas com menos de 10 pontos na liga, demonstrando também sua regularidade. Portanto, Marquinhos é o nosso MVP.
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