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2018/08/15 0 0

FIM DA INVENCIBILIDADE

Corinthians atropela Bauru no Wlamir Marques

Por Lucas Guanaes (texto e fotos)

Lei. Uma palavra tão pequena, mas ao mesmo tempo tão usada no cenário brasileiro nos últimos anos. Dentre suas várias definições nos dicionários, uma delas é a seguinte: “fórmula abstrata ou concreta do que é certo ou concordante com padrão estabelecido; norma, regra”.

Não só no universo jurídico é que existem as leis. Existem aquelas não escritas, presentes nos lares, igrejas e até mesmo no esporte. Uma delas, como todos devem saber, é a lei do ex. Sim, a mesma que prevê uma grande atuação de um atleta no primeiro reencontro contra sua antiga equipe.

O basquete brasileiro viu a aplicação desta lei de uma das maneiras implacáveis na noite desta terça-feira. No ginásio Wlamir Marques, o Corinthians atropelou o Sendi/Bauru Basket por 99 x 82, com uma partida magnífica de Ricardo Fischer, ex-Bauru. Desde que deixou a Cidade Sem Limites, o armador passou pelo Flamengo e Bilbao (Espanha), mas nunca havia enfrentado o ex-clube.

Mas falaremos disso mais para a frente. De início, é bom que se diga. Foi mais uma grande partida do Campeonato Paulista, que está com um bom nível nesta temporada. O Timão, que ainda não havia vencido, desbancou o líder – e até então invicto – Bauru com muita intensidade e uma boa dose de sorte em alguns momentos.

Porta fechada

O grande destaque do Bauru na temporada até então é Lucas Mariano. O pivô lidera a equipe em pontos, muito por conta da sua inteligência e força física sob a cesta. Também consegue vários arremessos da linha de três pontos, assim como Jefferson, outro pivô do time. Mais um que pontua muito bem do perímetro é Enzo Ruiz, contratado justamente para ser o ala pontuador do time, algo semelhante ao que foi Robert Day.

Diante disso, Bruno Savignani, técnico do Corinthians, armou um ferrolho sob a cesta e pressionou muito os arremessos de três pontos bauruenses. As principais armas do time foram muito bem anuladas. Inteligentemente, o time permitiu, apesar de sempre contestado, que o Bauru chutasse de média distância, tipo de arremesso que está em rápido declínio no basquete pela sua baixa eficácia.

E deu certo. O índice de acertos de média distância do Bauru foi muito baixo, como pode ser visto no mapa abaixo.


Os inúmeros rebotes deixados pelo Dragão, na maior parte das vezes, terminavam nas mãos alvinegras. Sempre com dois pivôs e o ala Aguiar, de 1,98m, na disputa, a vantagem corintiana ficou nítida, principalmente nos dois primeiros períodos. E isso permitiu o…

Run and Gun corintiano

Intensidade. O Corinthians levou esta ideia às últimas consequências na partida contra o Bauru. Aproveitamento mortal nos contra ataques, com uma velocidade de transição defesa-ataque absurda, chutando com 18 segundos restantes no relógio em determinados momentos. Fuller, Gustavinho, Fischer, Humberto e Gui Bento foram os maiores responsáveis pela correria após receber os passes dos pivôs.

Com a defesa bauruense ainda desorganizada, ficava relativamente fácil achar alguém livre para três pontos ou infiltrar para o arremesso de segurança.

Pressão no 5 x 5

Quando o Bauru dava início em suas jogadas a partir do fundo da quadra, o Corinthians apertava a marcação antes mesmo do cronômetro começar a rolar. Além de minar o tempo de ataque, tal estratégia vai irritando o adversário, que não consegue por em prática as jogadas combinadas. Tudo isso facilitava o erro no arremesso, que gerava um dos contra ataques acima citados.

O êxito, no entanto, só foi possível por conta da rotação intensa empregada por Bruno Savignani, no melhor modelo Paulistano 2017/18. Nove atletas tiveram ao menos 12 minutos de quadra, mas nenhum passou dos 30. O time ainda contou com Gui Bento, que jogou por oito minutos, e Nicolas, que se machucou logo no início da partida.

Defesa perdida e aproveitamento insano

Já quando o Corinthians atacou de maneira mais cadenciada, no 5 x 5, o Bauru não soube encontrar a melhor maneira de parar o ataque. Demétrius variou o tipo de marcação várias vezes nos primeiros quartos, mas de nada adiantou. Para piorar a situação, os anfitriões tiveram o invejável aproveitamento de 61% (13/21) da linha dos três pontos. O primeiro erro do perímetro, por exemplo, só ocorreu no fim do segundo período. Fischer e Aguiar combinaram para 8/9 arremessos de três pontos.

O Bauru acordou

Depois de ir ao intervalo perdendo por 17 pontos (46 x 29), a equipe bauruense teve outra postura na segunda metade do jogo. Já que não era possível acionar Lucão sob a cesta e utilizar a dupla Lucão/Marcão seria um verdadeiro suicídio diante da correria adversária, o jeito foi mudar a estratégia.

Marcando cinco jogadores abertos, o Corinthians foi obrigado a levar seus homens mais pesados, como Shilton e Abner, para marcar na linha dos três pontos. Com várias trocas e passes rápidos, o Bauru foi encontrando o caminho da cesta aos poucos. Além dos tiros de três pontos, a estratégia dos cinco abertos deixou um espaço enorme no garrafão, que antes não existia.

Quem aproveitou tais lacunas foi Jefferson, que mesmo não sendo um ala rápido, como Fuller, mas sim um pivô, infiltrou inúmeras vezes para fazer cestas fáceis e/ou sofrer a falta para converter lances livres.

No início do último período, a diferença chegou a apenas seis pontos. Poderia até ser menor se o Dragão aproveitasse as posses de bola provenientes de faltas antidesportivas e técnicas. Mas não foi o que ocorreu. Ao passo que o Bauru ia diminuindo a vantagem, Fischer foi recebendo algumas faltas bobas bem na metade da quadra, que cobraram seu preço nos instantes finais.

Sem chances

Quando a diferença estava em seis pontos, Fischer sofreu falta ao tentar um arremesso. Contudo, o elenco bauruense não viu falta no lance e foi reclamar com a arbitragem. Samuel levou uma falta técnica e, a partir daí, o Bauru não teve mais chances. Em poucos lances a diferença estava novamente em 14 pontos.

O Corinthians, então, passou a administrar a vantagem. Novamente sem grandes dificuldades para pontuar, aceitou as ofensivas de Jefferson, mantendo sempre o controle na casa dos 12-14 pontos de frente. Demétrius ainda parou o jogo, tentou arrumar a casa, mas não teve jeito. A arbitragem (mais uma vez com Jonas) não foi muito feliz em várias marcações para ambos os lados e prejudicou um pouco o espetáculo nos últimos minutos.

O ex

Se no ex-clube ele era camisa 5, no Corinthians, que tem o número aposentado por Wlamir Marques, Fischer ficou com a 1. Com este número ainda não havia feito um grande jogo pelo Corinthians neste início de temporada. Na verdade, o armador não conseguiu um grande jogo desde que saiu do Bauru, em 2015. Frequentemente prejudicado por lesões ou concorrência na posição, Fischer voltou ao Brasil e aos poucos recupera o prestígio que o tornou um dos melhores da posição quando estava no auge.

Na primeira partida contra o antigo time, Fischer foi o grande maestro de todo um sistema que funcionou com perfeição durante boa parte do jogo. Quando infiltrava, sempre levava junto ao menos três marcadores ávidos para impedi-lo de chegar a cesta. Desta maneira Fischer encontrou os companheiros, principalmente Fuller e Aguiar, sozinhos na linha dos três pontos inúmeras vezes. A maior parte de suas assistências ocorreram assim.

No final do jogo, a partida estava controlada e a vitória encaminhada, mas o Bauru ainda pressionava para chegar ao empate ou virada. Brilhou então mais uma vez a estrela do armador. Dois tiros certeiros de três pontos sepultaram qualquer chance bauruense de mudar o rumo do jogo.

E agora?

O Sendi/Bauru Basket permanece em São Paulo. Na quinta-feira (16), visita o Paulistano às 19h30 para tentar se recuperar da derrota contra o Timão. Já o Corinthians, que apesar do triunfo ainda está mal na tabela, receberá o América, também na quinta, mas às 20h.

Abre aspas

Fischer, armador do Corinthians – “[Ser o cestinha] é o que menos me importa. O que importa é essa vitória contra o líder, uma vitória de respeito. Não foi só na última bola. Impomos nosso ritmo e ficamos o jogo inteiro na frente. Isso é importante para nossa confiança. [A diferença pros outros jogos] é o maior tempo de treinamento, estamos conhecendo todo mundo ainda. Faz só dez dias que temos o time completo, isso faz diferença. Estamos evoluindo, estamos no caminho certo.

[…]Faz quase três anos que saí, mas hoje foi a primeira vez que joguei contra o Bauru. Tenho um carinho enorme pela torcida, pela cidade que me viu crescer, mas hoje eu fiz prevalecer o ex”.


Jefferson, pivô do Bauru – “Tivemos uma intensidade boa, mas o que pega um pouco foi a nossa viagem. Moramos longe e saímos de casa hoje às 8 da manhã, chegamos aqui ao meio dia. Isso deveria ser normal, mas como é início de temporada, prejudica um pouco. A gente entrou meio mole no começo do jogo e tivemos que correr atrás.

É uma equipe experiente, com jogadores que sabem controlar o jogo. O Fischer foi muito feliz, soube controlar o jogo inteiro, Giovannoni correndo por trás, o Aguiar fez um jogo espetacular. É uma equipe perigosa, que vai chegar muito bem nos playoffs. As vezes é até bom uma derrota dessa. Vamos levar umas lições pra casa, ver o que o Demétrius vai falar para a gente corrigir e chegar bem nos playoffs”.


Demétrius, técnico bauruense – “Marcamos mal desde o início do jogo e ficamos muito abaixo daquilo que a gente vinha apresentando. O Corinthians foi bem durante toda a partida, conseguiu impor seu ritmo e ter um bom aproveitamento. Cabe a nós, agora, ter o discernimento de saber quais erros cometemos e acertar isso para o jogo contra o Paulistano”

Destaques da partida

Corinthians

Fischer – 29 pontos, 2 rebotes, 6 assistências e 2 roubos
Fuller – 21 pontos e 2 assistências
Aguiar – 19 pontos e 3 rebotes
Giovannoni – 10 pontos, 7 rebotes e 3 assistências


Sendi/Bauru Basket

Jefferson – 24 pontos, 2 rebotes e 3 assistências
Enzo – 14 pontos e 2 assistências
Lucas Mariano – 11 pontos e 3 rebotes
Gustavo Basílio – 10 pontos e 2 rebotes

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Lucas Guanaes
Estudante de jornalismo e fotógrafo. Ala nas horas vagas, abomina o escanteio curto.

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