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Bauru e Interior

2018/05/15 0 0

PAULISTANO 3 X 2 BAURU

CAP segura reação do Dragão e é o segundo finalista do NBB

Após primeiro tempo ruim, bauruenses conseguem reagir, mas não alcançam a virada; Paulistano encara Mogi na decisão

Por Fabio Toledo | Fotos: Lucas Guanaes

Antes de a bola subir no ginásio Antônio Prado Jr, na capital paulista, Demétrius Ferracciú, técnico do Sendi/Bauru, já havia cantado a bola: seria muito importante aproveitar as bolas no ataque para vencer. O discurso do treinador para o microfone do Sportv chamou a atenção, pois Dema geralmente aponta a defesa como decisiva nas partidas, mas dessa vez ele apontou o setor ofensivo. No final, pôde-se dizer que a dificuldade no ataque no primeiro tempo foi o diferencial para o Bauru ficar em uma condição complicada na partida contra o Paulistano/Corpore.

Para se ter ideia, os donos da casa fizeram no segundo período mais pontos do que o Dragão anotou durante os 20 minutos antes da ida aos vestiários. Assim, o Paulistano construiu uma situação de jogo muito favorável. Conseguiu segurar a vantagem por meio da troca de cestas – respondendo na mesma moeda cada bola bauruense que caía –, mas encontrou problemas para matar de vez a peleja. Acostumado com superações, Bauru correu atrás e ficou por uma bola da recuperação total, terminando a partida com vitória do clube do Jardim América por 80 x 77.

Detalhes

A transição rápida para o ataque e arremessos de longe é a marca do Paulistano, mas o time comandado por Gustavo de Conti vai além. Não bastassem os contragolpes mortais, as jogadas no cinco contra cinco saíram com maior sucesso, tendo Lucas Dias como destaque. Já na defesa, a equipe da casa limitou o jogo de Hettsheimeir. Por mais que ele tentasse alguns arremessos forçados, não teve espaço no garrafão devido às dobras na marcação, nem condições de ser decisivo no perímetro. Com Hetts fora da partida, o trabalho da equipe foi melhor realizado.

Do lado bauruense, pode-se dizer que a equipe jogou mal em quase 30 minutos dos 40 jogados. E o grande problema – importante problema, já que Demétrius chamou atenção antes do jogo – foi o desempenho nos arremessos. Por mais que a marcação do Paulistano tenha seus méritos, não foram poucas as vezes em que o Dragão teve chances com jogadores livres para marcar, mas que a bola não caiu. Por amassar o aro, Bauru teve desempenho ruim, que só foi melhorar na reta final da partida. Ali, o que pesou foi a quantidade de tempo cedido ao ataque do Paulistano, por conta de rebotes ofensivos conquistados pelos anfitriões.

Cai de pé

Apesar da eliminação, a sensação que fica para o Sendi/Bauru Basket é a de que o time foi bastante longe, depois de todos os problemas que passou. Com momentos memoráveis, os playoffs mostraram que o Dragão, por mais ferido que possa estar, nunca estará acuado e lutará com garras, dentes e muito fogo para superar as adversidades. Bauru poderia ter chegado na final? Poderia. Só que também poderia ter caído para o Vasco nas oitavas após perder sua referência, Alex Garcia. Também poderia ter caído para o SESI/Franca, time de maior investimento. No final, após muita luta, não conseguiu superar o brilhante Paulistano, do fantástico Gustavo de Conti.

Nada que tira os méritos dessa equipe, que precisou se reinventar após o título do NBB passado, teve entrada de um armador com estilo diferente do que vinha sendo utilizado, jovens atletas virando referência, um lituano chegando em meio à temporada sem conhecimento do basquete no país, um ala-armador veterano procurando mostrar seu valor – e entrando pra história do basquete com uma bola milagrosa. Sem falar do técnico, Dema, que ganhou jogos decisivos na prancheta, organizando jogadas e táticas que fizeram Bauru chegar longe. Mas fazemos um balanço da temporada do Dragão depois. 

Final definida

Com o triunfo, o Paulistano chegou à final do NBB 10. É a terceira decisão que o Alvirrubro do Jardim América alcança – mantendo-se invicto em semifinais. Pela frente, o Mogi das Cruzes/Helbor, responsável pela eliminação do Flamengo e estreante na decisão da liga. E que duelo promete ser entre CAP e o time do Alto Tietê: Gustavinho x Guerrinha, Shamell x Lucas Dias, Tyrone x Nesbitt, Elinho x Larry, ataque x defesa… Sem dúvidas, a final do NBB vai ser legal de se ver, já começando no próximo dia 19, às 14h, no Ginásio Hugo Ramos.

O jogo

Precipitações ofensivas deixaram o placar zerado no minuto inicial, com Anthony abrindo a contagem para o Dragão. Pressionado pelo Bauru na linha de passe, o Paulistano aos poucos encontrou oportunidades livres no perímetro e conseguiu construir vantagem nas bolas de Elinho e duas de Jhonatan. Do outro lado, a bola bauruense amassou o aro. Assim que os comandados de Demétrius organizaram tramas para serem finalizadas mais próximas ao garrafão, aproximaram-se no placar. Porém, as 4 bolas de fora do Paulistano ainda falaram mais alto nos 14 x 10 do primeiro período.

A pontaria ruim e alguns erros de passe mantiveram o placar baixo na segunda parcial. Após o marcador se movimentar apenas em lances livres, Bauru conseguiu encostar em bandejas. Contudo, o desempenho de Duda e Shilton, atletas da rotação bauruense, foi ruim, enquanto Yago apareceu bem na transição rápida e comandou o ritmo acelerado do ataque que o Paulistano tanto gosta. Foi dessa forma que o clube da capital alcançou a casa decimal em sua vantagem. Com 7 pontos no quarto, Renan buscou manter Bauru próximo, mas Lucas Dias comandou os donos da casa, com Yago e Deryk fazendo participações especiais na abertura de 15 pontos de frente no término do primeiro tempo – 38 (24) x (13) 23.

Pressionando o passe e aproveitando o contragolpe, o Paulistano começou o segundo tempo com bandeja de Deryk. Ainda que Yago e Du Sommer tivessem se tornado desfalques para a equipe no decorrer da partida, a abordagem dos comandados de Gustavinho permaneceu com fluidez, levando a vantagem aos 20 pontos após bolas certeiras de Deryk e Lucas Dias no perímetro. Com pouca confiança nos arremessos, Bauru passou boa parte do período trocando cestas com os donos da casa, mas pressionou o ataque adversário e conseguiu diminuir a diferença para 13 – 59 (21) x (23) 46.

Mantendo a marcação pressão, o Dragão diminuiu pra 11, mas teve dificuldades para fazer mais. Com Lucas Dias anotando 5 pontos, o Paulistano segurou Bauru, até que Jaú reduziu ainda mais. Na metade final do período derradeiro, os comandados de Demétrius apresentaram a resiliência que foi destaque durante os playoffs. Com Matulionis e Duda encaçapando bolas decisivas do perímetro, Bauru ficou a um ataque de empatar. No minuto derradeiro, o placar apontava 76 x 73.

Depois de dois lances livres perdidos por Deryk e violação do tempo de posse no ataque, entre outros lances que marcaram pela boa defesa bauruense, Anthony marcou pontos em lances livres, mas na hora da virada, Duda não conseguiu encaçapar. No zerar do cronômetro, veio a queda – de pé – do Bauru, enquanto o Paulistano fez a festa por carimbar a terceira final de NBB em sua história com os 80 (21) x (31) 77.

O cara

Com atuações apagadas durante toda a série, foi a fez do ala Lucas Dias brilhar. O maior trabalho na transição do perímetro para o garrafão do Paulistano exigiu maior participação do camisa 9 e ele apresentou seu jogo. Foram 21 pontos de Lucas, com direito a seis cestas na zona pintada e apenas duas bolas no perímetro. Além disso, o desempenho no rebote ofensivo também foi decisivo, com 3 recuperações no ataque pinheirense.

Abre aspas 

Demétrius – “É com essa mensagem que a gente fica: sair de cabeça a erguida. Por toda a dedicação que eles tiveram e por toda superação que tivemos. É o que fica para a gente. Todo mundo está triste por não chegar na final? É lógico que nós estamos tristes. Mas jogamos no limite, nos entregamos o máximo.

[…] A gente não pode falar, agora, que foram os desfalques (a causa da derrota). Com os desfalques a gente ganhou dois playoffs e quase levamos o terceiro. Acho que a gente sentiu os desfalques, sim, mas os jogadores que estavam na quadra se superaram, se fecharam, jogaram pelos que estavam machucados. Isso mostra um orgulho muito grande, de um olhar pro outro e saber que deu o máximo. É isso que fica”.


Jhonatan Luz – “Agora (na final) a gente pode esperar tudo. Jogo cadenciado, jogo corrido, vai tudo ser decidido nos 40 minutos dentro da quadra. Mas a gente sabe que vai ser difícil, Mogi está indo bem demais. Teremos que defender ainda mais do que defendemos contra o Bauru. Para sermos campeões temos que fazer nosso jogo com muita defesa, rebote e transição com bola de 3”.


Deryk – “O time do Paulistano, independente de folha salarial, do que quer que seja, foi um time montado para ser campeão. A gente trabalha pra isso, a gente merece isso e a gente vai em busca disso. É um momento muito especial, muito difícil expressar o que eu tô sentindo agora. Acho que sempre batalhei muito por isso, o Paulistano batalhou muito por isso.

Acho que Bauru é uma equipe que tem que ser respeitada. É uma equipe que está chegando aí há vários anos, então não tem como tirar o valor deles. Mas o Paulistano também tem o seu e nós vamos mostrar isso”.


Lucas Dias – “Não tinha feito os três primeiros jogos muito bons. Comecei a aparecer um pouco no quarto jogo, mas mesmo assim não era o que queria jogar ainda. O Paulistano é uma família. Eu sabia que precisava dar um pouco mais hoje, quinto jogo, vida ou morte. Sabia que não queria sair fora, eu gosto de disputar jogos decisivos. Minha carreira é assim, eu sonho com isso. Pensei nisso a semana inteira, sabia que ia aparecer nesse jogo.

Desde quando a gente soube que ia enfrentar o Bauru, sabíamos que estávamos engasgados com eles desde o ano passado. Principalmente eu, que tinha machucado, tem uma rivalidade que a gente está criando, uma rivalidade boa, gostosa. Sabia que precisava dar um algo a mais hoje. Ainda cometi alguns erros na defesa que o Gustavinho me cobrou bastante, mas espero melhorar na final […] mas tudo é motivação para o jogador. Eu gosto de estar nisso, nesse sentimento, que sempre quis estar”.

Destaques

Paulistano/Corpore

Lucas Dias – 21 pts, 5 rebotes (3 ofensivos), 3 assistências e 2 tocos

Deryk – 17 pts, 3 assistências e 2 roubadas de bola

Jhonatan – 15pts (4/4 nas bolas de três) e 6 rebotes

Elinho – 8 pts, 6 rebotes e 4 assistências


Sendi/Bauru

Anthony – 18 pts e 6 assistências

Duda – 16 pts

Renan – 12 pts

Hettsheimeir – 7 pts e 13 rebotes


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    Fabio Toledo
    Crítico do futebol moderno, aventura-se por outros esportes, como basquete, vôlei e futebol americano, mas não deixa de lado a boa e velha redonda.

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