2017/03/29 0

O REDESCOBRIMENTO DE PAULINHO

De atleta promissor a fracassado na Europa, campeão mundial pelo Corinthians reencontra seu jogo com Tite – e apenas com Tite

Por Fabio Toledo

Ele saiu do Brasil sendo considerado um jogador que iria brilhar no futebol europeu. Chegou ao Tottenham como um atleta com estilo de jogo que se encaixaria no velho continente. Volante de aproximação ao ataque, muitas vezes começando jogadas. Teve seu ano de afirmação pela Seleção Brasileira em 2013, assegurando vaga para a Copa do ano seguinte.

Foto: Ben Stansall/AFP/Getty Images

Contudo, da mesma forma que chegou, Paulinho se foi. O início promissor nos Spurs foi marcado por uma queda de rendimento considerável, levando-o à reserva do clube do nordeste de Londres. Na Seleção então, viveu o vexame do 7 a 1 e foi um dos crucificados pela campanha pífia da Canarinho. De “uma mistura de Steven Gerrard com Yaya Touré” (palavras do canal BBC à época de sua chegada ao Tottenham), Paulinho foi ficando longe do sucesso.

Com poucas perspectivas na Inglaterra, radicalizou. Foi para o futebol chinês, ser comandado novamente por Felipão e ganhar uma bolada de dinheiro. Chegou ao título da Champions League Asiática com o Guangzhou Evergrande e fez parte da seleção da Superliga Chinesa no último ano. Nada que pudesse realmente chamar a atenção de alguma pessoa, exceto daquele que o tornou quem é.

Ao assumir a Seleção, Tite logo trouxe Paulinho de volta. Apesar de questionamentos levantados sobre seu merecimento para retornar, ele conseguiu corresponder à confiança de Tite. Foi importante na vitória sobre a Argentina, porém encontrou seu jogo diante do Uruguai. Três gols para um volante acontece uma vez na vida. Depois disso, a observação poderia ser o renascimento do antigo camisa 8 do Corinthians. Contudo, o que mais chamou a atenção é o fato de Paulinho encontrar seu melhor jogo com Tite, e somente com o técnico conseguir isso.

Foto: Pedro Martins/Mowa Press

Na última partida das Eliminatórias – vitória por 3 a 0 sobre o Paraguai na Arena Corinthians -, Paulinho deixou a função de segundo volante em muitas ocasiões, atuando como ponta e meia armador. E foi bem, dando um belo passe para o gol de Marcelo no melhor lance da noite, e outro ajeitando para Philippe Coutinho abrir o placar. Isso mostra a qualidade e evolução do ex-corintiano, algo que ele poderia ter conseguido na Inglaterra, mas não conseguiu.

Paulinho é bom de bola, isso ficou provado. Agora, uma coisa a ser confirmada é o fato dele conseguir se adaptar ao jogo de outros treinadores, ao menos que queira estar para sempre onde Tite for.

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Fabio Toledo
Crítico do futebol moderno, aventura-se por outros esportes, como basquete, vôlei e futebol americano, mas não deixa de lado a boa e velha redonda.

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