2015/08/10 0

WNBA, onde jogar não é o bastante

Liga feminina não recebe o devido valor, e atletas sentem no bolso

Por Gabriel Castro
 

Foto: Kamil Krzaczynski/AP

 

No basquete, o sonho de qualquer atleta é chegar a liga norte americana, a NBA. No caso das mulheres, a WNBA. É o nível máximo de talento e exposição que se pode conseguir, é a esperança de altos salários e reconhecimento de anos de luta.

Enquanto para os homens isso é uma realidade, para as mulheres o desafio ainda continua. Existe pouco conhecimento do público em geral de como funciona a liga feminina e a igualdade fica só no nome em comum com a masculina.

Vamos aos fatos: a WNBA conta com teto salarial de cerca de 901 mil dólares por ano, enquanto a NBA, de 94 milhões. Em média, cada jogador ganha 4.6 milhões de dólares ao ano, na WNBA esse numero é bem menor, por volta de 64 mil.

 

Foto: Hanna Foslien/Getty Images

 
Maya Moore, primeira escolha do Draft de 2011, em matéria ao site Theplayerstribune, conta que o problema é visibilidade, muitas pessoas nem sabem que a liga feminina existe, e não sabem quando passam os jogos. “É frustrante, nós atletas continuamos melhorando nosso jogo e tentando fazer diferença na comunidade e na vida de muitos jovens, porém, temos cada vez menos gente assistindo por conta da baixa exposição que temos”, completa a ala do Minnesota Lynx.A WNBA possui um calendário reduzido em relação a NBA. São quatro meses, de maio até agosto, depois as férias. Para complementar o (baixo) salário, muitas atletas vão para a europa, onde jogam por mais dinheiro. Outras deixam de jogar a temporada em busca de salários melhores fora dos Estados Unidos.

Diana Taurasi, 34, uma das melhores atletas da liga, é o melhor exemplo de como a WNBA não valoriza suas jogadoras. A norte-americana assinou contrato de 1.5 milhão para jogar na Rússia, com a condição de não participar da WNBA para chegar ao campeonato descansada.

Enquanto isso, no Brasil…

Aqui, temos uma liga com apoio e conhecimento geral quase zero, onde enormes potências terminam por falta de investimento, como Ourinhos (time que Janeth jogou após voltar ao Brasil) e Americana (possui parceria com o Corinthians e pode voltar).
 

 

Foto: Instagram @hotenciamarcari

 
Com ritmo bem mais lento que o NBB, a LBF (Liga de Basquete Feminino), procura estar no caminho certo. Teve em 2015 o primeiro Jogo das Estrelas junto com os homens, no qual as mulheres puderam desfrutar de uma exposição que provavelmente não teriam se organizassem o evento sozinhas. A iniciativa, porém, já foi abolida. Existe também o projeto de criar uma liga de desenvolvimento sub-21 para a formação de uma base para a seleção brasileira e clubes (algo parecido com o que existe na LDB do masculino).

A Liga Feminina também conta com o aporte da Caixa, assim como o NBB, mas o desenvolvimento ainda é parco. Apesar de contar com equipes de renome, como o Corinthians/Americana e o Sampaio Correia, por exemplo, nem tudo são flores. A liga conta com apenas 06 times na disputa, é preciso aumentar esse número e assim fazer um calendário maior, para ter boa exposição e produto para mostrar a futuros investidores.

O que pode ser feito?

Faltam investimentos, público e interesse. Sobram preconceitos, descasos e tentativas bizarras de ganhar a atenção, como tornar uniformes mais sexys, como tentou a WNBA em 2007 (algo vetado pelas atletas).

Em geral, infelizmente, é bastante comum ainda em 2017 as mulheres ganharem menos que os homens. O que pode ser feito, ainda que localmente, para diminuir isso no esporte é o apoio. Vá ver o time de sua cidade jogar, existem grandes atletas na região.

Futuro

Fundada em 1996, a WNBA é uma liga relativamente nova, que em poucos anos vem crescendo sua exposição e alcançando alguma visibilidade. A final em 2014 teve a maior audiência desde 2006, com média de 659 mil telespectadores.

Com maior publicidade e apoio da liga masculina, a WNBA vem crescendo, claro que essa diferença gritante de salários ainda vai demorar para diminuir. Contudo, é um começo. Agora, é esperar para ver como a liga continua e se desenvolve, com mais publicidade e com uma resposta positiva do mercado.

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Gabriel Castro
Escreve sobre basquete, eSports e futebol. Odeia pivô que chuta de 3 e sente saudade do Revolta na INTZ.

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